O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14), uma resolução que eleva temporariamente o percentual obrigatório de etanol anidro na gasolina, passando de 30% para 32%. A medida terá vigência de 180 dias, com possibilidade de prorrogação uma única vez.
A atualização do teor da mistura, regulamentada pela Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, visa reduzir as importações de gasolina, estimando-se que o Brasil deixará de importar cerca de 900 milhões de litros do combustível anualmente. Essa iniciativa surge em um contexto de volatilidade no mercado internacional de petróleo e combustíveis.
Os testes da nova mistura, chamada de E32, foram coordenados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Durante os ensaios, o desempenho da mistura foi avaliado em veículos leves e motocicletas que representam a frota nacional.
“No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex”, afirmou o ministério em nota.
Além disso, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, mencionou que a mistura de etanol na gasolina pode ser aumentada ainda mais. “Sabemos que podemos ir até E35 [35%], mas os estudos técnicos necessários para se avançar na mistura nos permitem ir até o E32 [32%]”, declarou quando o projeto foi anunciado meses atrás. A E35 está atualmente em análise no Instituto Mauá de Tecnologia.
Representantes da indústria de biocombustíveis acreditam que a mudança pode resultar em uma redução de 2% nos preços da gasolina para os consumidores. “Hoje, o litro do etanol custa em média R$ 2,40 menos do que o litro da gasolina. Portanto, um aumento da mistura de 2% deve trazer uma redução equivalente para o consumidor”, explicou Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).
Gussi também destacou que, desde o início do conflito no Irã, a diferença de preço entre etanol e gasolina gerou uma economia de aproximadamente R$ 2 bilhões aos consumidores brasileiros, além de um gasto de R$ 8 bilhões em importações de gasolina.
Quanto à resposta dos motores com a nova composição, Gussi reafirmou a viabilidade técnica da mudança, ressaltando que a mistura de 32% já foi testada anteriormente, quando houve o aumento para 30% em junho do ano passado.








