A indústria automotiva brasileira está em um momento crítico, e a entrada de montadoras chinesas pode representar uma solução para a ociosidade das fábricas no país. As fabricantes chinesas estão aproveitando a capacidade ociosa das unidades de produção brasileiras, nacionalizando parte da sua produção e acelerando o processo de montagem dos veículos, ao invés de investir na construção de novas fábricas.
Atualmente, diversas fábricas, que antes operavam em sua capacidade total ou foram fechadas, estão sendo reativadas por meio de aquisições ou parcerias. As montadoras chinesas têm demonstrado interesse em locais que já possuem infraestrutura, o que facilita a implementação de suas operações no Brasil.
Entre as fabricantes que estão se estabelecendo no país, destacam-se:
Geely, localizada em São José dos Pinhais (PR), está utilizando a fábrica da Renault e já possui operações confirmadas.
A GWM está montando veículos em Iracemápolis (SP), aproveitando a antiga fábrica da Mercedes-Benz, que foi fechada em 2020.
GM, com as marcas Wuling e MG, firmou uma parceria com a Comexport e está operando na antiga fábrica da Troller, em Horizonte (CE).
A Chery está em transição na fábrica da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ), enquanto a GAC planeja iniciar suas operações em Catalão (GO) em 2027.
Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), destaca que a escolha pelas fábricas ociosas no Brasil não é acidental. O país conta com uma cadeia de fornecedores robusta e uma logística bem estruturada, além de políticas públicas que incentivam investimentos no setor automotivo.
O Brasil possui uma longa tradição na formação de mão de obra especializada, fundamental para a indústria automotiva. Antônio Jorge Martins, coordenador de cursos MBA para o setor automotivo da FGV, aponta que, apesar da crescente robotização na produção, ainda é necessária uma mão de obra qualificada.
Atualmente, 40% dos carros eletrificados comercializados no Brasil são produzidos localmente, e esse número tende a aumentar com a chegada das montadoras chinesas. Bastos menciona que, embora não se possa afirmar que a produção chinesa salvará a indústria nacional, ela representa uma grande oportunidade de especialização e recuperação da produção, que já alcançou 3,7 milhões de unidades em 2013.
Contudo, a entrada massiva de marcas chinesas no Brasil, que já soma 28, levanta questões sobre a saturação do mercado. Apesar de preocupações com possíveis saídas em caso de insucesso, especialistas acreditam que o que se espera é um período de ajuste natural, comum em momentos de transformação no setor. A produção das montadoras chinesas deverá atender tanto ao mercado interno quanto à exportação, sendo esta última essencial para a viabilidade a longo prazo das operações.















