A partir de 1º de agosto, o Sistema Anchieta-Imigrantes começará a operar com o pedágio eletrônico no modelo free flow. A medida, homologada pela Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), permitirá que a concessionária Ecovias Imigrantes substitua as tradicionais praças de pedágio por pórticos de identificação automática de veículos, proporcionando uma experiência de pagamento mais ágil e sem a necessidade de paradas nas rodovias que conectam a capital paulista e o ABC à Baixada Santista.
Com uma média de 110 mil veículos passando diariamente por essas estradas, a implementação do novo modelo promete melhorar a fluidez do tráfego. A cobrança não será mais exclusiva para o sentido litoral, mas ocorrerá em ambos os sentidos, com a tarifa atual de R$ 40,60 sendo dividida em duas cobranças de R$ 20,30, uma na descida e outra na subida da serra.
Para garantir a eficácia do sistema antes de sua estreia, a Ecovias Imigrantes realizou uma série de testes ao longo do mês de junho. Os pórticos, localizados no km 20 da Imigrantes e no km 33 da Anchieta, registraram a passagem de aproximadamente 2,5 milhões de veículos, sendo 1,9 milhão de automóveis de passeio (76%) e 600 mil comerciais (24%). Desses, 77% já utilizavam tag eletrônica para pagamentos automáticos. A adesão entre caminhões e ônibus foi de 93%, enquanto os veículos de passeio atingiram 71%.
“O período de testes no Sistema Anchieta-Imigrantes foi complexo devido ao volume de tráfego e às condições climáticas severas”, destacou Fernando Ferreira, gerente de operações rodoviárias da Ecovias Imigrantes, enfatizando que o sistema está pronto para iniciar a operação com segurança.
Motoristas que não possuírem a tag eletrônica terão um prazo de 30 dias, após a passagem pelos pórticos, para quitar a tarifa através dos canais oficiais da concessionária, incluindo o portal Siga Fácil ou a plataforma Pedágio Digital, que aceita pagamentos via Pix e cartão de crédito.
O modelo free flow já é utilizado em diversos países, como Chile, Estados Unidos, Portugal e Taiwan, e foi regulamentado no Brasil pela lei 14.157/2021. A tecnologia, que já opera em rodovias de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rondônia e Rio Grande do Sul, teve sua adoção inicialmente em caráter experimental na BR-101, no trecho Rio-Santos.
Entretanto, a expansão deste modelo enfrenta barreiras políticas. Em São Paulo, há resistência de deputados quanto à instalação do pedágio eletrônico, e no Rio Grande do Sul, o assunto gerou a abertura de uma CPI que identificou falhas nas rodovias que adotaram o sistema. Em abril, o governo federal chegou a determinar o cancelamento de multas aplicadas a motoristas que não pagaram a tarifa. Além disso, projetos de lei como o PL 987/2026, que visa extinguir a cobrança automática, e outros que buscam limitar multas e exigir notificação prévia, estão em tramitação.





