A União Europeia está considerando implementar um novo sistema de controle de velocidade para os automóveis. Desde 2024, todos os veículos novos vendidos no bloco já contam com o Assistente de Velocidade Inteligente (ISA), que alerta o motorista ao ultrapassar os limites estabelecidos nas vias. Agora, a proposta em discussão é de um limitador eletrônico que impediria os carros de exceder a velocidade permitida.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa europeia, a Comissão Europeia está analisando uma mudança na regulamentação que exigiria que todos os novos carros saíssem de fábrica equipados com um dispositivo capaz de ajustar automaticamente a velocidade máxima ao limite da via. Esse sistema utilizaria tecnologia de posicionamento via satélite (GPS) para identificar a área em que o veículo se encontra e reduzir eletronicamente a velocidade ao detectar um limite mais baixo.
Embora a proposta ainda esteja em fase de discussão e não haja informações detalhadas sobre o funcionamento do sistema, a expectativa é que ela possa se transformar em uma proposta formal da Comissão, com a nova exigência podendo entrar em vigor a partir de 2030.
O limitador eletrônico representaria uma evolução do ISA, que atualmente apenas emite alertas sonoros sem intervir na velocidade do veículo. Os motoristas têm a opção de desativar o assistente, mas ele é reativado automaticamente sempre que o carro é ligado novamente, um ponto de frustração para muitos.
“O ISA acumula falhas de leitura: um estudo da Thatcham Research aponta uma precisão de 74,3%, o que significa que o sistema erra cerca de uma vez a cada quatro”,
afirmam especialistas. Essa taxa de erro levanta preocupações sobre a transferência dessa “inteligência” para o controle direto da velocidade, o que poderia aumentar os riscos nas estradas.
O sistema de GPS também não é infalível; já foi observado que aplicativos como Google Maps e Waze podem apresentar limites de velocidade incorretos. Isso significa que um veículo poderia, por erro de informação, ter sua velocidade limitada a 60 km/h em uma via onde o limite é de 120 km/h, gerando situações potencialmente perigosas.
Além das questões técnicas, há um debate em andamento sobre a liberdade dos motoristas e as implicações para a proteção de dados, o que levanta preocupações sobre um carro que controla automaticamente sua própria velocidade sem qualquer intervenção do condutor. Um efeito colateral significativo dessa mudança seria a diminuição das multas por excesso de velocidade, uma importante fonte de receita para muitos países, caso a proposta seja implementada.





