A Aumovio, originada da divisão automotiva da Continental, em parceria com a trinamiX, subsidiária da BASF, apresentou um inovador sistema de medição de álcool no sangue que utiliza a impressão digital do motorista. O dispositivo, que por enquanto está disponível apenas na Europa, permite que o condutor simplesmente toque em um sensor instalado no interior do veículo, dispensando a necessidade de soprar em um bocal.
O funcionamento do sensor se baseia na espectroscopia no infravermelho próximo (NIR). Quando o dedo do motorista toca a superfície do sensor, pulsos de luz invisível penetram na pele e buscam moléculas de etanol nos tecidos. A luz refletida é analisada por algoritmos de inteligência artificial, que estimam o nível de alcoolemia do motorista em questão de segundos.
“A experiência é intuitiva e tão simples quanto utilizar a leitura de impressão digital em um smartphone. O sistema de sensores pode ser discretamente integrado a elementos já existentes do cockpit, preservando um design interno limpo e não intrusivo”, afirma Ricardo Rodrigues, chefe da Aumovio no Brasil.
A trinamiX ressalta que o método foi submetido a testes em um estudo clínico registrado no DRKS, o registro alemão de estudos clínicos. As fabricantes garantem que o hardware pode ser embutido em componentes já existentes na cabine do veículo, sem comprometer o design interno.
A ideia de integrar a detecção de álcool nos veículos não é uma novidade. Nos Estados Unidos, desde 2008, a NHTSA, em colaboração com montadoras, desenvolve o programa DADSS (Driver Alcohol Detection System for Safety), que possui duas abordagens: um sensor de respiração, que analisa o ar da cabine sem exigir esforço do motorista, e um sensor de toque, semelhante ao da Aumovio.
Uma legislação federal aprovada em 2021 estipulou que a NHTSA deve exigir a implementação desse tipo de dispositivo em novos veículos, mas a norma ainda não foi formalizada. Em março de 2026, a agência informou ao Congresso que está em processo de avaliação dos requisitos técnicos necessários. A Volvo, por sua vez, havia projetado um sistema similar para seu SUV elétrico EX90 em 2022, mas essa função não foi incluída na versão final do modelo.
No Brasil, a fiscalização de alcoolemia ao volante ainda depende da Lei Seca, que impõe tolerância zero para álcool, e do Código de Trânsito, que considera a embriaguez como uma infração gravíssima. Contudo, existem propostas legislativas que visam a implementação de dispositivos embarcados. O PL 2176/07, por exemplo, visa obrigar as montadoras a instalar um bafômetro passivo em veículos novos que impeça a ignição ao detectar álcool. O PL 4394/12 sugere o bloqueio de partida em veículos de frota, como táxis e ônibus, enquanto o PL 1437/20 propõe estender a exigência a todos os automóveis vendidos no país. Até o momento, nenhuma dessas propostas foi aprovada.





