Cenipa concluiu a investigação do acidente em Vinhedo que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024. Em relatório de 266 páginas, o órgão lista 19 fatores ligados à tragédia, 15 com impacto na ocorrência.
Nesta semana, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu a investigação do acidente envolvendo um ATR 72-600 da Voepass, que caiu em Vinhedo, São Paulo, no dia 9 de agosto de 2024. O relatório, que possui 266 páginas, identifica 19 fatores que podem ter contribuído para a tragédia que resultou na morte de 62 pessoas. Destes, 15 foram considerados como tendo impacto na ocorrência do acidente.
Os quatro fatores restantes — relacionados ao treinamento da tripulação, estado emocional do comandante, influências externas e um aspecto do projeto da aeronave — não apresentaram evidências suficientes para serem confirmados, sendo classificados como “indeterminado”.
Uma das principais questões abordadas no relatório diz respeito ao acúmulo de gelo sobre as asas do avião, um problema que pode alterar drasticamente a aerodinâmica da aeronave. O gelo se acumula no bordo de ataque, comprometendo o perfil da asa, o que resulta em aumento de arrasto e diminuição da sustentação. Isso implica a necessidade de maior velocidade para que a aeronave mantenha o voo seguro.
No caso do ATR 72-600, o sistema de degelo estava inoperante na asa direita e essa falha não foi registrada no diário de bordo em voos anteriores. O avião, portanto, foi despachado para uma rota com previsão de gelo severo, o que se revelou um erro crítico.
Durante o voo, em altitude de cruzeiro a 17 mil pés, o gelo se acumulou, resultando em uma queda na velocidade da aeronave. O sistema APM, responsável por monitorar a situação, emitiu alarmes em três níveis de gravidade, mas os procedimentos adequados não foram executados pela tripulação. Quando a velocidade atingiu o limite crítico, o alarme de estol foi acionado, indicando que a asa não estava mais sustentando o avião.
Em uma tentativa de recuperar a situação, o ATR 72-600 possuía um dispositivo automático de recuperação, o stick pusher, que deveria empurrar o manche para frente, ajudando a baixar o nariz da aeronave. No entanto, os pilotos puxaram o manche, o que resultou no desacoplamento dos comandos da cauda e na entrada da aeronave em um parafuso chato.
O relatório do Cenipa, que visa apenas a prevenção e não busca apurar responsabilidades, apresenta a lista dos 15 fatores que contribuíram para o acidente. Entre eles, destacam-se a manutenção inadequada da aeronave, falhas nos processos organizacionais da empresa, a aplicação incorreta dos comandos durante o estol, e a falta de planejamento adequado do voo.
Além disso, a atuação da ANAC, a cultura organizacional da equipe de trabalho e o julgamento inadequado dos pilotos também foram identificados como fatores relevantes para a tragédia. O relatório sublinha a importância de ações corretivas e a necessidade de melhorias na segurança operacional, a fim de evitar que eventos semelhantes ocorram no futuro.





