Novas regras obrigam condomínios a permitir recarga de veículos elétricos, mas a falta de infraestrutura e os custos desanimam síndicos. Soluções técnicas e contratos comerciais viabilizam pontos de recarga sem ônus para o prédio.
A popularização dos carros elétricos no Brasil trouxe desafios para moradores e síndicos de condomínios residenciais. Entretanto, a recente evolução nesse cenário, especialmente no estado de São Paulo, impõe novas normas que obrigam os condomínios a permitirem a recarga de veículos elétricos. O objetivo é que os pontos de recarga deixem de ser uma dor de cabeça e se transformem em uma solução prática e conveniente.
Um dos principais obstáculos para a instalação de eletropostos em condomínios é a falta de infraestrutura elétrica adequada. Muitas vezes, isso exige um investimento considerável para ampliar a capacidade energética. A tecnologia Maestro, desenvolvida pela Tcharge em colaboração com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), oferece uma alternativa para resolver esse problema. O sistema utiliza a capacidade ociosa da rede elétrica ou redistribui a energia de forma equilibrada, evitando sobrecargas.
“Nesses casos, vários veículos carregando simultaneamente podem provocar sobrecargas, acionamento das proteções elétricas, blackout e até penalidades tarifárias. O Maestro gerencia essa demanda de forma inteligente, permitindo aproveitar a infraestrutura existente com segurança”, afirma o CEO da Tcharge.
O sistema Maestro é projetado para identificar instantaneamente quando a demanda de energia ultrapassa a capacidade do local e redistribuir o fornecimento de energia, respeitando os limites estabelecidos. Esta solução é compatível com carregadores de corrente alternada (AC) e corrente contínua (DC), podendo atender a diversas necessidades de carregamento. Além de condomínios, a tecnologia pode ser aplicada em estacionamentos, centros comerciais, hotéis e empresas com frotas eletrificadas.
Nos condomínios, as instalações de carregadores geralmente ocorrem em dois cenários: em garagens individuais, com carregadores AC de 7 kW, 11 kW ou 22 kW, e em garagens compartilhadas, onde são utilizados carregadores DC de 40 kW ou mais. Segundo informações, a instalação do sistema Maestro e dos carregadores pode ser realizada em menos de uma semana na maioria dos estabelecimentos.
Além da infraestrutura, o custo de instalação dos eletropostos também é um fator importante. A empresa NeoCharge, por exemplo, oferece um modelo que inclui a análise de viabilidade técnica, fornecimento de equipamentos e execução da infraestrutura necessária, com um tempo médio de instalação de um mês e meio. Um dos condomínios que adotou essa solução, o Madison Park em Alphaville, São Paulo, viu seus carregadores serem utilizados por 35% do tempo, ou cerca de 8,5 horas por dia.
O custo médio de recarga no local é de R$ 1,69 por kWh, enquanto os preços gerais para fontes DC e AC são de R$ 2,29 kWh e R$ 1,89 por kWh, respectivamente. Os moradores pagam pela recarga através de um aplicativo. A instalação de carregadores em espaços externos também é uma opção, permitindo que usuários externos ao condomínio possam utilizá-los.
“Quando esses carregadores ficam do lado de fora, consideramos eles públicos, ou seja, pessoas externas ao condomínio também podem usar os carregadores”, conclui o CEO da NeoCharge.







