Nos anos 70 o combustível azul (95 RON) destacava-se pelo corante e era usado em carros potentes e importados. Hoje permanece na memória de colecionadores como símbolo de status e performance.
A gasolina azul, que fez parte da história automotiva brasileira na década de 1970, é lembrada por muitos entusiastas de carros antigos como o combustível preferido para veículos potentes, como o Dodge Charger R/T. Este combustível, que se destacava por seu corante azul, era sinônimo de status e exclusividade, especialmente entre os automóveis preparados e os importados.
Na época, a gasolina azul era utilizada como uma forma de diferenciar o combustível de alta octanagem da gasolina comum, que era conhecida como gasolina amarela. Com uma octanagem de 95 octanas RON, a gasolina azul se tornou essencial para carros que exigiam alto desempenho, como o Charger R/T, que necessitava desse tipo de combustível para operar de forma eficiente.
É importante ressaltar que a gasolina azul não continha etanol em sua formulação. Até 1981, a gasolina vendida no Brasil continha chumbo tetraetila como elemento antidetonante, podendo ter uma mistura de até 5% de etanol apenas como uma solução para o excedente na produção de cana de açúcar. Essa combinação tornava a gasolina azul mais cara em comparação à gasolina amarela, devido à sua formulação diferenciada.
No início dos anos 70, a primeira crise do petróleo impulsionou o uso do etanol como uma alternativa no Brasil, dado que o país já era um grande produtor de cana de açúcar. Em resposta a essa demanda, foi criado o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) em novembro de 1975, visando incentivar a indústria do etanol. O Fiat 147, lançado em 1979, foi o primeiro carro a ser movido a esse combustível.
Com a introdução do etanol, a gasolina comum passou a ter uma octanagem comparável à da antiga gasolina azul. Em 1982, o governo brasileiro decretou o fim da gasolina azul, ao começar a adicionar 12% de etanol ao combustível. Para os proprietários de veículos mais potentes, isso significou apenas um ajuste no carburador para adequar a mistura. Assim, a distinção entre as gasolinas se extinguiu, com o etanol se tornando o novo protagonista no mercado de preparação e nas competições automobilísticas.
Atualmente, a gasolina brasileira apresenta uma octanagem de 91 RON, enquanto as opções premium oferecem 98 RON, e a Podium da Petrobras e a OctaPro da Ipiranga chegam a 102 RON e 103 RON, respectivamente. Todos os veículos comercializados no Brasil, incluindo os importados de luxo, podem utilizar a gasolina comum. As gasolinas premium continuam a conter 25% de etanol, em comparação aos 32% da gasolina comum, beneficiando motores mais antigos e esportivos.






