Com pacotes anteriores, os desligamentos somam cerca de 9.000 vagas — cerca de 1 em cada 5 do quadro de 42.600 em 2024. A Porsche afirma que o acordo com IG Metall e Südwestmetall não incluirá demissões forçadas.
A Porsche firmou um acordo com seu conselho de trabalhadores que prevê a redução de mais 5.000 postos de trabalho até 2035. Com isso, somando os pacotes anteriores, os desligamentos totalizam cerca de 9.000 vagas — representando aproximadamente um em cada cinco empregos da fabricante, que encerrou 2024 com 42.600 funcionários. O anúncio foi feito na segunda-feira, dia 27, após meses de negociações com o sindicato IG Metall e a associação patronal Südwestmetall.
Importante destacar que nenhuma dessas saídas será uma demissão forçada. A Porsche informou que a redução de pessoal ocorrerá por meio de aposentadorias naturais, efeito demográfico, ampliação do programa de aposentadoria parcial e acordos voluntários de rescisão. Em contrapartida, a empresa estendeu a garantia de emprego e a manutenção das fábricas até o fim de 2035 e prometeu investir € 2,1 bilhões nas instalações de Stuttgart-Zuffenhausen, onde são produzidos os esportivos de duas portas, e no centro de desenvolvimento de Weissach.
“A conta tem outro lado”, destacou a marca.
O acordo também impõe desafios aos funcionários. De acordo com os termos, 3,5% do reajuste salarial já negociado e dos futuros aumentos serão adiados até 2035. Nos anos de 2027 e 2028, a alta direção abrirá mão de uma contribuição equivalente. Além disso, o bônus de Natal sofrerá uma significativa redução, passando de 45% para 5% até 2035, diminuindo o benefício de até 100% para 60% de um salário mensal. O home office, que antes permitia 12 dias mensais, será restrito a oito.
Como compensação imediata, a fabricante planeja pagar um bônus de transformação de € 1.500 a cada funcionário em agosto. Os colaboradores filiados ao IG Metall receberão € 411 a mais, totalizando € 1.911, além de um dia extra de folga por ano.
O pacote de cortes surge em um semestre desafiador para a Porsche. A empresa entregou 122.306 veículos de janeiro a junho, o que representa uma queda de 16% em relação a 2025. Na China, as vendas totalizaram 14.501 unidades, uma diminuição de 32%, resultado inferior ao registrado na própria Alemanha, que contabilizou 14.938 unidades. A fabricante atribui essa redução global ao fim da produção do 718 a combustão, à forte base de comparação do Macan elétrico e ao término dos incentivos fiscais para veículos eletrificados nos Estados Unidos.
Michael Leiters assumiu a liderança da empresa em janeiro, com a missão de reorganizar as operações. No balanço do semestre, divulgado na quarta-feira, dia 29, a receita caiu para € 17,23 bilhões, enquanto o resultado operacional subiu 34%, alcançando € 1,35 bilhão, e a previsão para o ano foi mantida. O diretor financeiro, Jochen Breckner, alertou que o novo pacote de cortes pode resultar em impactos de algumas centenas de milhões de euros no segundo semestre. Os detalhes da estratégia até 2035 serão apresentados em outubro, durante o Capital Markets Day da companhia.





