A Ferrari confirmou que irá lançar dois novos modelos até o fim de 2026, ampliando sua linha de produtos e reforçando sua estratégia de neutralidade tecnológica. O anúncio ocorreu durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre, realizada na quinta-feira (30), pelo presidente-executivo da montadora, Benedetto Vigna.
A fabricante de Maranello já testou combustíveis neutros em carbono em seus motores a combustão, embora não tenha revelado quais serão os novos carros nem os tipos de propulsores que passaram pelos testes. A estratégia da Ferrari, que é mantida desde 2022, consiste em desenvolver paralelamente modelos a combustão, híbridos e elétricos.
Recentemente, a montadora apresentou o Ferrari Luce, seu primeiro carro elétrico de produção em série, e o 12Cilindri Manuale, que traz de volta o câmbio manual. Essa diversidade de opções busca atender a um mercado em transição, onde os combustíveis neutros são cada vez mais relevantes.
“Os biocombustíveis funcionam bem em nossos motores”, afirmou Vigna, mencionando que a empresa já avaliou diferentes alternativas sem perda de desempenho. Entretanto, não foram divulgados detalhes sobre as formulações testadas nem os motores envolvidos.
A adoção de biocombustíveis se alinha com a tendência de redução de emissões, permitindo que a Ferrari mantenha a combustão interna, um aspecto valorizado pelos entusiastas da marca. Esse tema é central nas discussões europeias sobre a proibição da venda de carros a combustão, prevista para 2035.
A recepção do Ferrari Luce, por sua vez, foi mista. O liftback de quatro motores, apresentado em Roma, gerou críticas de parte dos fãs e ceticismo no mercado financeiro, embora a cota global para 2026 tenha sido rapidamente esgotada, com pedidos da China se estendendo para 2027.
Quanto aos novos lançamentos, publicações especializadas especulam que um dos modelos pode ser uma versão de teto removível do hipercarro híbrido F80, que possui cerca de 1.217 cv, enquanto o outro seria derivado do 12Cilindri. A Ferrari mantém o sigilo sobre os detalhes até a apresentação oficial, o que frequentemente resulta em vendas esgotadas antes da estreia pública.
Os números financeiros do trimestre sustentam o ritmo de lançamentos da marca. A receita líquida alcançou 1,938 bilhão de euros, com um aumento de 8%, enquanto o lucro líquido cresceu 9%, totalizando 463 milhões de euros. O Ebitda também avançou 7%, chegando a 755 milhões de euros, com margem de 39%. No entanto, as entregas caíram para 3.366 unidades, reflexo da troca de gerações em algumas linhas de produtos.
Apesar da queda nas entregas, a venda de itens sob encomenda, que representaram cerca de 20% da receita com carros e peças, ajudou a compensar a situação. Com o desempenho superando as expectativas do mercado, a Ferrari elevou suas projeções para o ano, prevendo uma receita aproximada de 7,6 bilhões de euros e um Ebitda ajustado de pelo menos 2,97 bilhões de euros.





