Carros foram atingidos por meteoritos em três casos documentados, sempre na América do Norte. A NASA diz que mais de 100 toneladas de poeira espacial caem por dia e usa esses episódios para medir a frequência.
Ter um carro atingido por um meteorito pode parecer um enredo de filme, mas essa situação já ocorreu em mais de uma ocasião, com três casos documentados ao longo de mais de um século de história automotiva. Todos os incidentes ocorreram nos Estados Unidos ou no Canadá, o que levanta questões sobre a raridade desse fenômeno.
A NASA explica que a Terra é bombardeada diariamente por mais de 100 toneladas de poeira e partículas do tamanho de grãos de areia, que se desintegram ao entrar na atmosfera. A agência espacial utiliza o carro como uma referência para entender a frequência de tais eventos: aproximadamente uma vez por ano, um asteroide do tamanho de um automóvel entra na atmosfera, gera um clarão e se consome antes de atingir o solo.
O primeiro registro de um veículo atingido por um meteorito ocorreu em 29 de setembro de 1938, em Benld, Illinois. Uma rocha de 1,8 kg perfurou o telhado de uma garagem de madeira e atingiu o cupê Pontiac 1928 de Edward McCain. O meteorito atravessou o teto, o banco e o assoalho do carro, ricocheteando no escapamento antes de se alojar nas molas do banco. McCain não estava no veículo no momento do impacto e, ao descobrir o buraco no estofamento horas depois, inicialmente suspeitou de ratos. Somente após chamar um vizinho, ele ficou ciente do que realmente aconteceu. Uma moradora estava a cerca de 15 metros do impacto, sendo provavelmente a pessoa que mais se aproximou de ser atingida por um meteorito até aquele momento. A análise posterior indicou uma crosta de fusão de apenas 1 milímetro, sugerindo que a rocha entrou na atmosfera em baixa velocidade, o que evitou sua desintegração. O meteorito e as peças do carro estão atualmente no Field Museum of Natural History, em Chicago.
O segundo caso aconteceu em 9 de outubro de 1992, quando uma rocha de 12 kg atravessou a traseira do Chevrolet Malibu 1980 de Michelle Knapp, em Peekskill, Nova York. Na época, Knapp tinha 18 anos e havia adquirido o carro da avó por US$ 400. O meteorito perfurou o porta-malas e criou uma cratera de 15 centímetros no chão sob o veículo. O incidente se transformou em uma oportunidade de negócios, já que Knapp vendeu o Malibu, que nunca foi consertado, por US$ 10 mil. Atualmente, o carro é considerado uma peça de museu, enquanto o meteorito foi avaliado em US$ 50 mil.
O caso mais recente ocorreu em 25 de setembro de 2009, em Grimsby, na província canadense de Ontário, quando um fragmento de 45 gramas atingiu o para-brisa do Nissan Pathfinder de Yvonne Garchinski, após cruzar o céu a uma velocidade de cerca de 75 mil km/h. A rocha, com 4,6 bilhões de anos, tem praticamente a idade do Sistema Solar. Outros fragmentos foram encontrados na região, mas sem causar danos adicionais.
A concentração desses três episódios na América do Norte pode não refletir a verdadeira frequência de impactos em veículos em outras partes do mundo, mas sim a capacidade de registro e catalogação científica dos fenômenos.





