A feira em São Paulo, realizada de 11 a 13 de agosto, discutiu transição energética e redução de emissões no transporte coletivo. Empresários alertaram para o avanço das montadoras chinesas; Fenabrave aponta BYD em segundo lugar entre jan e jul de 2026.
Entre os dias 11 e 13 de agosto de 2026, São Paulo sediou a Lat.Bus 2026, um dos eventos mais relevantes da mobilidade urbana na América Latina. A feira reuniu fabricantes de chassis e encarroçadoras, além de promover painéis e debates sobre o futuro do transporte coletivo e as estratégias para reduzir as emissões no setor.
Um dos temas em destaque foi a preocupação da indústria brasileira com o avanço das montadoras chinesas. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) indicam que, de janeiro a julho de 2026, a BYD ocupou a segunda posição entre as marcas de ônibus, com 175 unidades emplacadas, ficando atrás apenas da Caio Induscar.
“Preservar a nossa engenharia é a nossa capacidade produtiva diante dessa concorrência não é resistência à mudança. É a defesa dos empregos qualificados e de um conhecimento técnico que os fabricantes instalados no Brasil levaram 70 anos para construir”, afirmou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
O mesmo executivo destacou a necessidade de equilibrar a renovação da frota e a descarbonização com a preservação das capacidades produtivas no Brasil. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus) também enfatizou a importância de programas sustentáveis para financiar a atualização tecnológica do transporte coletivo.
Durante o evento, algumas montadoras aproveitaram a oportunidade para reafirmar que suas soluções são desenvolvidas e testadas localmente, oferecendo suporte técnico mais próximo do cliente. Entre os lançamentos da feira, a Volvo apresentou o chassi BZR-LE 6×2 elétrico, projetado para carrocerias de até 15 metros e com capacidade de até 110 passageiros, além do B320R B100 Flex 6×2, que opera tanto com biodiesel puro quanto com diesel convencional.
A Mercedes-Benz, que celebra 70 anos de operações no Brasil, anunciou o início das vendas do chassi eO500UA, além do ônibus 100% elétrico eCity, que terá vendas encarroçadas, colocando a marca em um confronto direto com as fabricantes chinesas. O eCity possui autonomia média de até 150 quilômetros e está previsto para chegar ao mercado em 2027.
Por sua vez, a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que completa 45 anos no Brasil, trouxe novidades como o e-Volksbus 18H e e-Volksbus 22H, ambos voltados para a eletromobilidade. A montadora destacou que o chassi é 100% nacional e possui autonomia que varia de 200 a 250 quilômetros, dependendo da configuração das baterias.
A Scania também participou do evento, apresentando tanto novidades em ônibus a diesel quanto elétricos, reforçando a busca pela inovação e sustentabilidade no setor.












