Ao longo de três dias de debates, a entidade que reúne 8.523 concessionárias avaliou vendas e políticas do setor automotivo. Concluiu que as medidas governamentais beneficiaram apenas uma parcela reduzida de consumidores.
Foram três dias de análises, debates e previsões, encerrados no último dia 19, relativos a um dos setores mais relevantes da economia brasileira. A entidade representativa do setor automotivo reúne 8.523 concessionárias que atuam com automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, tratores e implementos rodoviários.
Os resultados de vendas do primeiro semestre surpreenderam e levaram à revisão das estimativas traçadas no início do ano. No segmento de autos e comerciais leves, o crescimento foi de 18,7%, com 1.726.644 unidades vendidas, ante 1.454.044 em 2025. Esse avanço foi influenciado, em parte, por um forte movimento de antecipação de compras por parte das locadoras durante o primeiro semestre.
Apesar do desempenho positivo nos volumes, a previsão agora aponta para um avanço menor no fechamento do ano: a estimativa projeta crescimento de 8,8%, índice que reflete a revisão diante da dinâmica observada nos meses recentes.
Em apresentações e debates realizados no encontro, foi destacado que programas de incentivos governamentais chegaram a oferecer condições de financiamento mais favoráveis. No entanto, esses programas já se esgotaram ou acabaram beneficiando um grupo reduzido de novos compradores, sobretudo entre taxistas e motoristas de aplicativos, por questões cadastrais e de elegibilidade.
Do total de associadas à entidade, 1.380 concessionárias representam 15 marcas chinesas — o que corresponde a 16,8% do total — número apurado sem considerar a breve chegada da BAIC ao mercado nacional. Esse avanço das marcas chinesas intensificou a competição e provocou pressão deflacionária nos preços dos carros novos e nos veículos seminovos e usados.
Segundo a avaliação divulgada no evento, a redução dos preços sugeriu reflexo direto no segmento de usados: valores praticados em muitos casos passaram a ficar abaixo da referência da tabela FIPE, comprimindo margens e forçando ajustes operacionais por parte das marcas tradicionais.
Arcélio dos Santos Júnior, presidente da entidade, lembrou a dinâmica dos incentivos e as limitações observadas na adesão de alguns públicos às linhas de apoio.
Arcélio dos Santos Júnior, presidente da entidade, acrescentou:
“Isso faz parte do negócio e obrigou marcas tradicionais no mercado a se movimentarem. A redução nos preços dos novos também se refletiu nos usados, que estão abaixo da tabela da Fipe. Mas o setor está reagindo bem a este novo desafio.”
As conclusões apresentadas durante os três dias de reuniões apontaram para um cenário de ajuste competitivo, em que a combinação entre antecipação de demanda, alterações na oferta de crédito e entrada acelerada de novas marcas redefine margens, mix de vendas e estratégias comerciais para o restante do ano.





