A evolução tecnológica prometia tornar as interfaces dos veículos mais intuitivas, mas um recente estudo revelou que essa expectativa encontrou um obstáculo significativo: a usabilidade. Uma pesquisa realizada pela revista sueca Vi Bilägare revelou que, nos modelos de carros mais recentes, os sistemas de multimídia se mostraram mais distrativos e perigosos em comparação com os de quatro anos atrás. Atualmente, os motoristas gastam mais tempo afastados da estrada para realizar tarefas simples, quando comparados a 2022.
O estudo incluiu dez carros novos e utilizou um Volvo V60 2016 como referência, solicitando que os motoristas realizassem tarefas cotidianas, como ajustar o ar-condicionado, mudar a estação de rádio ou alterar o brilho da tela, enquanto dirigiam em um aeródromo fechado. O tempo e a distância percorrida foram medidos e comparados com os resultados de um teste semelhante realizado em 2022.
Os resultados mostraram um aumento na distância média percorrida enquanto os motoristas dividiam a atenção entre a tela e a estrada, que subiu de 756 metros em 2022 para 813 metros atualmente. Essa diferença representa cerca de dois segundos a mais para concluir cada ação nos sistemas de 2026. Para contextualizar o risco: a 100 km/h, um veículo percorre quase 28 metros por segundo, o que significa que muitos desses metros são rodados, na prática, “às cegas”.
Um fator preocupante é que o problema persiste, mesmo com telas maiores, melhor posicionadas e processadores mais rápidos. O Mercedes-Benz CLA, por exemplo, exigiu 35 segundos de interação para completar as tarefas, 15 segundos a mais que o GLB avaliado em 2022. Além disso, o CLA levou 19 segundos para responder aos comandos após ser desbloqueado, percorrendo em média 1.116 metros, a segunda pior marca do teste, superada apenas pelo Mazda CX-60, que percorreu 1.137 metros.
Por outro lado, o Volvo XC60 destacou-se com um desempenho médio de 485 metros por tarefa, embora esse resultado ainda seja 68 metros pior que o do Volvo C40 Recharge testado em 2022. A pesquisa também revelou que o Tesla Model Y superou o Model 3 avaliado quatro anos antes, indicando que nem todo avanço de software resulta em piora na usabilidade.
Os dados também desafiam a crença comum entre entusiastas de que os botões físicos são sempre mais eficazes. O XC60 2026, que possui uma interface dominada por telas, teve desempenho superior ao V60 2016, que possui mais comandos analógicos. Além disso, um Volvo V70 2005 testado em 2022 também mostrou um desempenho melhor do que a perua da década passada, sugerindo que o problema está mais relacionado às interfaces que sobrecarregam funções em menus, afastando a atenção do motorista da estrada por tempo excessivo.
Outro fator que complicou a operação das telas foi o uso de luvas, que dificultou ainda mais a interação com os sistemas de multimídia.








