Entre janeiro e julho de 2026 o Brasil importou 344,1 mil veículos, alta de 25,7% sobre 2025. Exportações da China cresceram 105,4%, enquanto a Argentina recuou 16,7% (101,1 mil unidades).
Os primeiros sete meses de 2026 mostram um aumento significativo nas importações de veículos leves e pesados, totalizando 344,1 mil unidades. Este número representa um crescimento de 25,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior. A maior parte das importações é oriunda da China, que viu suas exportações para o Brasil mais que dobrarem, com um aumento de 105,4%. Por outro lado, a Argentina, que tradicionalmente exporta veículos para o Brasil, registrou uma queda de 16,7% nas suas exportações, totalizando 101,1 mil unidades.
A situação atual dos estoques de veículos importados é alarmante, com 360.000 unidades estocadas, o que corresponde a 142 dias de vendas, em contraste com apenas 21 dias para os modelos fabricados nacionalmente, conforme dados da Anfavea. Dentre os veículos estocados, a maior parte é proveniente da BYD, que tem aproveitado incentivos do Governo Federal para aumentar a importação de veículos elétricos e híbridos desde 2022. A marca chinesa tem mantido preços competitivos, mesmo diante da alta taxa de juros que impacta financiamentos.
A BYD defende que os incentivos fiscais devem terminar em janeiro do próximo ano, conforme estabelecido, sem favorecer novos entrantes no mercado.
A empresa tem a previsão de se tornar a líder do mercado brasileiro até 2030, posicionando-se atualmente como a quarta maior. Em contrapartida, o Grupo Chery, com suas diversas marcas, busca a liderança até 2031, projetando que o Brasil possa absorver até cinco milhões de veículos por ano, um aumento de 70% em relação ao volume atual.
O otimismo em torno das vendas de veículos leves e pesados em 2026 é mantido pela Anfavea, que projeta um crescimento de 12,1% em relação a 2025, superando as previsões de 8% da Fenabrave. No que diz respeito à produção, o Brasil se destacou como o segundo país com maior crescimento no período, com um avanço de 8,8%, atrás apenas da Índia, que alcançou 14,5%. Curiosamente, mesmo a China, o maior mercado automotivo do mundo, reportou uma queda de 4% em sua produção, enquanto os Estados Unidos enfrentaram uma redução de 11,7%.
Embora os veículos elétricos estejam avançando, as vendas permanecem modestas. A Anfavea reportou que, há um ano, a soma de veículos elétricos e híbridos não ultrapassava 11% das vendas totais, mas no acumulado de 2026, esse número cresceu 120,8%. Somente os elétricos puros alcançaram 25,8 mil unidades emplacadas em julho, o maior número da série histórica.
No entanto, a distribuição das vendas de veículos leves revela que os elétricos ainda têm um longo caminho a percorrer: gasolina representa 2,8%; diesel, 9,3%; híbridos, 5,9%; híbridos plugáveis, também 5,9%; elétricos, 7,2%; e flex, 68,9%. Isso indica que o crescimento de 120,8% se baseia em números relativamente baixos. Apesar disso, os veículos elétricos são adequados para uso urbano, mas enfrentam desafios em viagens longas devido à infraestrutura de recarga limitada, exceto na rodovia Presidente Dutra, que conecta as duas maiores cidades do Brasil.





