A Geely anunciou mudança no comando da Geely Automobile na semana passada e definiu um plano para ampliar a produção local na Europa. Li Shufu deixou a presidência da Geely Automobile após cerca de quatro décadas no cargo; ele continua como presidente do conselho da Zhejiang Geely Holding, o grupo controlador que detém participações em marcas como Mercedes-Benz, Aston Martin e Horse. O anúncio da troca de presidência do conselho e do diretor executivo foi feito em 17 de agosto.
O novo presidente-executivo, An Conghui, estabelece como prioridade aumentar a fabricação de modelos do grupo no continente europeu. Um dos primeiros movimentos do novo comando será ampliar a produção na região, com as fábricas da Volvo apontadas como uma base estratégica para essa expansão. Durante a divulgação dos resultados do primeiro semestre, An Conghui afirmou que as plantas da Volvo na Europa serão importantes para a estratégia internacional da Geely Automobile.
No primeiro semestre de 2026, o grupo vendeu 1,42 milhão de veículos, enquanto as exportações cresceram 158%, alcançando 474.228 unidades. Na China, a Geely é a segunda maior fabricante do país, atrás apenas da BYD. A empresa pretende reduzir a dependência do mercado doméstico, que vive uma intensa guerra de preços, e elevar a produção local como forma de proteger margens e acelerar a logística para clientes europeus.
A previsão é que a produção em massa de modelos de maior porte e posicionamento premium comece em 2028. O comunicado não especificou quais modelos serão fabricados nas linhas europeias, mas Zeekr e Lynk & Co aparecem como candidatas naturais do portfólio da Geely. Entre os modelos mencionados como prováveis estão o Lynk & Co 900 e os Zeekr 9X e 8X.
A Volvo já possui fábricas na Suécia e na Bélgica e está construindo uma terceira unidade na Eslováquia dedicada à produção de veículos elétricos; essa fábrica deve começar a operar em 2027, oferecendo mais capacidade industrial para o grupo. Além das instalações da Volvo, a Geely firmou uma joint venture com a Ford para utilizar a fábrica de Almussafes, em Valência, onde dois modelos da marca chinesa devem começar a ser produzidos em 2028.
O novo plano industrial chega em um momento em que a companhia busca equilibrar crescimento de exportações e pressões por margem. No primeiro semestre, o diretor financeiro da Geely, Dai Yong, alertou sobre os impactos da disputa de preço no mercado doméstico. Entre os modelos responsáveis pelo desempenho de vendas está o Geely EX2 (conhecido como Xingyuan ou E2 na China), que registrou 226.465 unidades entregues entre janeiro e julho de 2026, queda de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A combinação entre a mudança de comando e a expansão de produção fora da China coloca a Geely em uma nova fase: a empresa busca ganhar espaço no mercado europeu enquanto a disputa com fabricantes como BYD, SAIC, Chery e Leapmotor se intensifica.










