A atual geração da Nissan Frontier deixou de ser vendida no Brasil após a fabricante retirar a picape média do site oficial e confirmar o fim do ciclo comercial do modelo atual. A decisão contrariou expectativas de que a caminhonete continuasse à venda importada do México.
O fim da produção na Argentina, em Córdoba, no fim de 2025, já vinha sinalizando a saída: a medida fez parte do encerramento das operações industriais da Nissan no país vizinho, com a marca passando a atuar por meio de um representante oficial para importação de modelos. Com o fechamento da fábrica argentina, a produção da picape na América Latina havia se concentrado no México, mas a versão mexicana não foi adotada para manter a Frontier no Brasil.
“A linha atual da Nissan Frontier está concluindo seu ciclo comercial no Brasil. Com mais de 80 anos de tradição no desenvolvimento e produção de picapes, reconhecidas mundialmente por atributos como robustez, durabilidade e tecnologia, a Nissan reafirma seu compromisso com esse segmento no mercado brasileiro, que continua estratégico para a marca. Informações sobre os próximos passos da Nissan nessa categoria no país serão compartilhadas em breve”
O desempenho comercial da Frontier ajuda a explicar a troca de produto. Em 2025, a picape somou 5.091 emplacamentos, queda de 45% em relação a 2024, quando emplacou 9.258 unidades. Resultado que levou a Frontier a fechar 2025 na sexta posição do segmento; para efeito de comparação, a líder Toyota Hilux vendeu 49.721 unidades no mesmo período.
O quadro se agravou no primeiro semestre de 2026: de janeiro a julho a Frontier registrou 1.002 emplacamentos, posicionando-se à frente apenas de modelos como Foton Tunland (306), BYD Shark (415) e JAC Hunter (175). A Volkswagen Amarok, por sua vez, somou 2.274 unidades no mesmo intervalo.
A substituta prevista é a inédita Frontier Pro, desenvolvida em parceria com a chinesa Dongfeng e baseada na caminhonete Dongfeng Z9. Segundo a fabricante, a picape terá versão híbrida plug-in e a empresa indicou a intenção de comercializar o modelo na América Latina; protótipos já foram vistos em testes nas ruas brasileiras, embora o lançamento no Brasil ainda não tenha sido confirmado oficialmente.
Do ponto de vista técnico, a Frontier Pro combina um motor 1.5 turbo a gasolina com propulsores elétricos, entregando potência combinada superior a 400 cv e torque de 81,6 kgfm. A bateria, recarregável em tomadas externas, promete autonomia elétrica de até 135 km segundo o ciclo de medição chinês.
As dimensões anunciadas mostram crescimento: 5,50 m de comprimento, 1,96 m de largura, 1,95 m de altura e 3,30 m de entre-eixos. A configuração mecânica altera a tradicional arquitetura da categoria, com eixo traseiro passando de feixe de molas para molas helicoidais e suspensão dianteira com braços duplos independentes; o conjunto oferece ainda bloqueio eletromecânico do diferencial traseiro para uso fora de estrada.
O interior também muda de postura, privilegiando maior equipamento: painel com quadro de instrumentos digital de 10 polegadas e tela multimídia de 14,6 polegadas; algumas versões trazem bancos com aquecimento, ventilação e massagem, além de sistema V2L capaz de fornecer até 6 kW para alimentar ferramentas e equipamentos externos.
A Nissan reafirmou comprometimento com o segmento e informou que divulgará detalhes sobre os próximos passos no mercado brasileiro em momento oportuno.








