O preço médio dos carros vendidos no Brasil registrou queda de 4,7% nos 12 meses encerrados em julho, tanto para veículos zero-quilômetro quanto para seminovos e usados. O recuo considera o preço efetivamente pago nas transações financiadas e abrange diferentes carrocerias, com variação desigual entre segmentos.
Variação mensal
- Zero-quilômetro: recuo de 1,2% entre junho e julho
- Seminovos e usados: recuo de 1,0% no mesmo período
O movimento de baixa se estende por vários meses e não é uniforme entre as carrocerias. Entre os veículos novos, as maiores desvalorizações em 12 meses concentraram-se em picapes compactas, crossovers e SUVs; por outro lado, picapes médias, hatches e picapes derivadas de automóveis tiveram quedas mais contidas.
Zero-quilômetro
- Picapes compactas: -9,4% em 12 meses
- Crossovers: -5,3% em 12 meses
- SUVs: -4,4% em 12 meses
- Picapes médias: -1,3% em 12 meses
- Hatches: -3,4% em 12 meses
- Picapes intermediárias (derivadas de automóveis): -4,3% em 12 meses
Seminovos e usados
- SUVs: -8,2% em 12 meses
- Picapes compactas: -7,6% em 12 meses
- Crossovers: -7,6% em 12 meses
- Hatches: -1,2% em 12 meses
- Picapes intermediárias: -2,1% em 12 meses
- Sedãs: -2,6% em 12 meses
Entre as explicações para a queda dos preços, foram apontadas duas forças principais: a pressão concorrencial decorrente da entrada massiva de marcas chinesas no mercado e práticas comerciais de lançamento com desconto, onde fabricantes estendem condições promocionais de pré-venda por cautela sobre a absorção do produto. Segundo especialistas ouvidos pela Quatro Rodas, esse reposicionamento de preço nos modelos zero-quilômetro puxa a correção nos usados, já que o seminovo equivalente precisa ajustar seu patamar para manter competitividade.
Crédito e prazo
- Veículos financiados em julho: 674.735 unidades (maior volume para o mês desde 2008)
- Variação sobre julho de 2025: alta de 5,6%
- De janeiro a julho: operações somam 4,452 milhões, avanço de 10% na comparação anual
- Prazo médio dos contratos: incremento de 45 para 47 meses em um ano
O aquecimento do crédito, com mais operações e prazos médios mais longos, ajuda a sustentar a demanda mesmo em cenário de juros elevados. Nem todos os indicadores, porém, apontam na mesma direção: o índice IBV Auto, do banco BV, que acompanha preços pedidos em anúncios de usados leves, registrou alta de 6,10% em 12 meses até julho, embora em desaceleração. A diferença entre indicadores decorre da metodologia — enquanto a medição que aponta queda considera o valor pago em operações financiadas, o IBV parte dos preços pedidos no varejo.





