O MIIT detectou problemas na inspeção de conformidade para 2025 em sete veículos elétricos e híbridos. Cruzamento de códigos vinculou dois deles aos populares Geely Xingyuan (EX2 no Brasil) e BYD Qin L DM‑i.
O governo chinês identificou irregularidades em sete modelos durante a inspeção de conformidade de produção de veículos elétricos e híbridos referente a 2025, e entre os veículos apontados estavam dois dos carros mais vendidos do país: o Geely Xingyuan e o BYD Qin L DM-i.
O comunicado do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) não citou nomes comerciais, limitando-se a códigos de identificação dos veículos. No entanto, o cruzamento desses códigos com registros anteriores permitiu associar dois deles aos modelos Xingyuan — vendido no Brasil como Geely EX2 — e ao Qin L DM-i.
No caso do Xingyuan, a distância entre-eixos da unidade inspecionada divergiu do valor declarado no catálogo oficial além da margem tolerada de 1%. A unidade fiscalizada foi fabricada pela Zhejiang Haoqing Automobile Manufacturing, empresa do grupo Geely. O Xingyuan foi o veículo mais vendido da China em 2025, com 465.775 unidades no varejo, e ultrapassou 800 mil unidades acumuladas em menos de dois anos de mercado.
O modelo comercializado no Brasil como Geely EX2 chegou ao mercado brasileiro em novembro de 2025 com motor de 116 cv e entre-eixos de 2,65 m; a inspeção apontou discrepância entre o dado declarado e a medição da unidade revista.
Já no Qin L DM-i, o problema detectado foi no consumo de combustível aferido no modo de manutenção de carga — situação na qual a bateria está descarregada e o motor a combustão assume o trabalho — que superou o número declarado pela fabricante. O MIIT não informou o consumo medido, o tamanho da diferença nem a versão envolvida, tampouco detalhou eventuais sanções aplicadas às empresas envolvidas.
Os outros cinco veículos apontados na inspeção eram comerciais e apresentaram problemas como ausência de manuais, divergências em parâmetros registrados e janelas de emergência e dispositivos de proteção fora dos padrões nacionais.
Segundo o MIIT, as medidas administrativas variavam conforme a gravidade das não conformidades e poderiam ir da exigência de correção à suspensão ou retirada do produto do catálogo oficial, além da interrupção da transmissão eletrônica dos certificados de conformidade — documento sem o qual o veículo não pode ser emplacado.
A divulgação das irregularidades ocorreu um dia depois de quatro órgãos do governo chinês lançarem uma campanha nacional de um ano para elevar a qualidade e a conformidade da produção automotiva. A iniciativa transformou as inspeções anuais em uma força-tarefa interagências, com foco em segurança de veículos conectados, capacidade de pesquisa e desenvolvimento das empresas e conformidade dos produtos.
O MIIT já havia alertado que projetos agressivos estavam indo para a linha de montagem sem testes suficientes e que a competição desenfreada entre as marcas aumentava os riscos de qualidade. Ao expor publicamente modelos específicos, Pequim passou da orientação regulatória para a punição direta.





