Sob o comando do ex-Porsche Frank-Steffen Walliser, a Bentley priorizou potência, aerodinâmica e ajustes de chassi e pneus. O Supersports é quase meia tonelada mais leve que o Continental GT.
Pegar um carro e deixá-lo mais esportivo segue princípios básicos: aumentar potência, melhorar a transferência de torque ao asfalto (com acerto de chassi, pneus e eficiência aerodinâmica) e reduzir o peso. Foi exatamente isso que a Bentley fez sob a supervisão de seu novo CEO, Frank‑Steffen Walliser, recrutado da Porsche em 2024. Este é o primeiro Bentley desenvolvido desde que ele assumiu o comando da marca e as mudanças ficam evidentes em vários níveis.
O Supersports é apresentado como o Bentley mais leve dos últimos 85 anos. Ele é quase meia tonelada mais leve que o Continental GT e também o primeiro modelo desta linha a ficar abaixo dos 2.000 kg. A principal contribuição para essa dieta veio do conjunto mecânico: não há componentes do sistema de tração nas quatro rodas, como o eixo de transmissão, que costuma ser um elemento pesado em modelos com AWD. Também houve troca do teto em alumínio por peça em fibra de carbono, o que reduz massa e ajuda a baixar o centro de gravidade.
No habitáculo, a redução de peso também é expressiva: os dois bancos traseiros, suas respectivas colunas e os chicotes do sistema de áudio foram eliminados. Materiais de isolamento acústico foram removidos em pontos do interior e alguns sistemas de assistência ao motorista ficaram de fora, reforçando o caráter deste GT mais direcionado ao uso em pista.
Quase todos os novos elementos externos da carroceria são em fibra de carbono e têm função prática, focada na redução de peso e na otimização aerodinâmica. Em relação a um Continental GT Speed, os apêndices aerodinâmicos do Supersports geram mais de 300 kg de carga aerodinâmica a 250 km/h. A distribuição de peso começa em 54% na dianteira e 46% na traseira com o carro parado; com o aumento da velocidade, a carga aerodinâmica faz a traseira “ganhar peso”.
O para‑choque dianteiro inferior é novo e incorpora o maior splitter já instalado em um Bentley de rua, com dois novos canais de refrigeração laterais destinados a reduzir as temperaturas de freios e motor. A nova grade de malha em alumínio foi cortada a laser e tem desenho exclusivo. Perfis atrás das rodas dianteiras e saias laterais foram desenhados para reduzir sustentação em acelerações fortes e otimizar o fluxo de ar; o novo difusor traseiro trabalha em conjunto com um aerofólio fixo na tampa do porta‑malas.
O interior recebeu revestimentos em fibra de carbono e uma combinação de couro natural e material sintético Dinamica. A segunda fileira foi substituída por uma estrutura monocoque em fibra de carbono, revestida em couro.
Na parte mecânica, o V8 4.0 biturbo recebeu virabrequim reforçado, cabeçotes aprimorados e turbos com maior pressão, resultando em 666 cv e 81,6 kgfm de torque, o que corresponde a 166,5 cv/l — a maior potência específica registrada em um motor Bentley. Não há sistema híbrido plug‑in, e a tração é exclusivamente traseira; trata‑se do primeiro Continental GT homologado para as ruas a abrir mão da tração integral. O câmbio é o automatizado de dupla embreagem e oito marchas da ZF, com embreagens reforçadas e estratégia de trocas recalibrada para reduções mais rápidas e estabilidade durante frenagens. O motor exaure por um sistema de titânio desenvolvido com a especialista Akrapovič; o som foi calibrado para ser bem mais expressivo.
























