Em Nanning, um Yangwang U7 rodou 30.000 km a 240 km/h sob calor de 36°C e alta umidade; foram mais de 350 recargas em pouco mais de oito dias. Ao final, as células da bateria registraram queda de apenas 1,3%.
A BYD submeteu um sedã elétrico de mais de três toneladas a uma maratona de durabilidade: 30.000 quilômetros a 240 km/h, em circuito fechado em Nanning, no sul da China, sob calor acima de 36°C. O teste teve recargas realizadas mais de 350 vezes em pouco mais de oito dias e terminou com as células da bateria apresentando perda de apenas 1,3% da capacidade original.
O veículo testado foi o Yangwang U7, sedã da divisão de luxo do grupo. Ele completou o percurso em 8 dias, 19 horas e 58 minutos. Durante toda a operação, a umidade relativa chegou a 80% e o sistema de ar-condicionado permaneceu regulado a 24°C do início ao fim, segundo relatos da fabricante. Ao término da maratona, a bateria registrou 98,7% da capacidade original.
A montadora informou que o carro não era um protótipo: a unidade teria sido retirada aleatoriamente de uma concessionária, sem preparação nem modificação. A empresa afirmou ainda que aceita submeter o mesmo ensaio à repetição por instituições independentes, para validação externa dos resultados.
O motivo para a quilometragem de 30.000 km tem relação com mudança regulatória: a China elevou de 15.000 para 30.000 quilômetros a exigência mínima dos testes de durabilidade em via para veículos de nova energia (elétricos, híbridos, a hidrogênio etc.). A alteração, noticiada em agosto, unifica o patamar com os testes exigidos há anos para carros a combustão, e foi apresentada por representantes do setor automotivo chinês como um sinal de maturidade do segmento.
Como referência internacional, a Mercedes-AMG percorreu 40.075 km em 2025 com o protótipo GT XX em 7 dias, 13 horas e 24 minutos. A BYD destacou que, ao contrário daquele caso, o U7 testado era um carro de série.
O Yangwang U7 utiliza a bateria Blade de segunda geração, desenvolvida para suportar carregadores Flash Charging de até 1.500 kW por conector. Na prática, a introdução dessa tecnologia já alcançou o mercado brasileiro: um equipamento com essa capacidade foi apresentado por uma marca do grupo durante o Festival Interlagos, com promessa de mil unidades no país até o fim de 2027, a começar por uma concessionária em Brasília. Os carregadores rápidos atualmente disponíveis no Brasil operam em torno de 300 kW, e o Denza Z9 GT é, por ora, o único carro à venda capaz de aproveitar maiores potências, com preço de R$ 670 mil.
Em especificações de desempenho, o Yangwang U7 soma 1.306 cv e 161,5 kgfm com quatro motores, acelera de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos e atinge 300 km/h. As opções de bateria são de 135,5 kWh, com autonomia de 800 km no ciclo chinês CLTC, e 150 kWh, com até 1.006 km. Na China, o modelo teve preço inicial de 658 mil yuans, cerca de R$ 505 mil. Não há previsão de venda no Brasil.





