O presidente Stephan Winkelmann afirma que os superesportivos elétricos chineses não representam ameaça concreta à Lamborghini. A marca engavetou o Lanzador e reafirma foco na experiência dos motores a combustão.
A Lamborghini afirma não enxergar ameaça concreta nos superesportivos chineses e sustenta que a natureza elétrica desses rivais os coloca em outro patamar competitivo em relação aos modelos de Sant’Agata Bolognese. Em entrevista, o presidente da marca, Stephan Winkelmann, disse que a diferença essencial está no conjunto motriz e na experiência proporcionada pelos motores a combustão da casa italiana.
“porque eles estão fazendo carros elétricos”
O comentário surge em contexto de decisão estratégica: a Lamborghini engavetou o Lanzador, que seria seu primeiro modelo 100% elétrico, e o transformou em híbrido plug-in. A versão elétrica do Urus também foi descartada. Winkelmann justificou a mudança apontando a baixa aceitação dos elétricos entre a base de clientes da marca.
“perto de zero”
Hoje a linha da Lamborghini é majoritariamente híbrida plug-in, com destaque para o V12 do Revuelto, que entrega 1.015 cv, e o V8 biturbo do Temerario, com 920 cv. A mensagem da marca é que desempenho, som e emoção — atributos associados aos motores de combustão e à assinatura sonora dos modelos — permanecem como diferenciais competitivos frente a muitos projetos elétricos.
Enquanto isso, fabricantes chinesas têm apresentado números técnicos expressivos. Em setembro de 2025 o YangWang U9 Xtreme, submarca de luxo da BYD, atingiu 496,22 km/h na pista de Papenburg, na Alemanha, e se tornou o carro de produção mais rápido do mundo, superando o Bugatti Chiron Super Sport 300+. Segundo a fabricante, são quatro motores elétricos que somam 2.978 cv.
Mais recentemente, a Denza, outra marca do grupo BYD, lançou o Z, cupê esportivo elétrico de três motores com potência combinada de 1.604 cv. A versão de pista acelera de 0 a 100 km/h em 1,96 segundo e chega a 350 km/h. O apelo comercial do Denza Z está no preço: na China o cupê parte de 680 mil yuans, o equivalente a cerca de R$ 523 mil. Para comparação de mercado, no Brasil um Porsche 911 Carrera GTS custa a partir de R$ 1,52 milhão. Fora da China, o Denza Z é significativamente mais caro: na Inglaterra, o mesmo modelo sai por praticamente o dobro do preço chinês.
O cenário de competição também inclui projetos híbridos e a combustão vindos da China. A GWM desenvolve um superesportivo de motor central-traseiro que não será puramente elétrico: o modelo usará um V8 biturbo de 4.0 litros associado a um sistema híbrido plug-in, apresentado no ano passado, sobre monobloco de fibra de carbono. A própria montadora já declarou que o alvo técnico e de mercado é a Ferrari SF90 Stradale.
Por ora, a posição oficial da Lamborghini é cautelosa: a marca diz que só voltará a avaliar um modelo puramente elétrico perto de 2030, mantendo por enquanto a aposta em soluções híbridas que preservem desempenho e a assinatura sonora tradicional.





