Do V8 americano de 6 litros aos gigantes experimentais da Bugatti, motores de grande deslocamento dominaram as ruas. Reunimos os cinco maiores propulsores de carros de rua, com deslocamento, rendimento e anos de uso originais.
Hoje o mercado brasileiro está acostumado com motores turbinados de baixo deslocamento, como os 1.0 turbo de três cilindros. Por muito tempo, porém, um 2.0 era considerado grande e propulsores maiores, com seis cilindros, eram sinônimo de luxo e prestígio. No passado, motores de grande deslocamento eram associados diretamente à potência e ao desempenho, especialmente os V8 norte-americanos de mais de 5 ou 6 litros.
A seguir, os cinco maiores motores que equiparam carros de rua, mantendo dados técnicos como deslocamento, rendimento e anos de uso conforme registrados na época.
1. Bugatti Tipo 41 Royale
- Deslocamento: 12,8 litros
- Potência: 300 cv
- Ano de apresentação: 1927
O maior motor já aplicado em um carro de rua não veio dos Estados Unidos, mas da França. O Bugatti Tipo 41 Royale, apresentado em 1927, trazia um oito cilindros em linha de 12,8 litros — deslocamento comparável ao de caminhões rodoviários modernos. O propulsor tinha comando de válvulas no cabeçote e três válvulas por cilindro. O Royale era também uma obra de luxo: entre-eixos de 4,30 m, 2,1 m de largura, comprimento superior a 6 m dependendo da carroceria e peso a seco de 3.175 kg.
2. Dodge Viper
- Deslocamento inicial: 8,0 litros
- Deslocamento posterior: 8,4 litros (segunda fase da segunda geração)
- Potência: 604 cv (8,4 L), 654 cv (terceira geração)
Após a crise do petróleo nos anos 1970, os fabricantes americanos reduziram cilindradas. O Dodge Viper marcou o retorno às unidades de grande deslocamento quando foi lançado em 1992. A primeira versão do seu V10 tinha 8,0 litros; na sequência ele cresceu para 8,4 litros e, em determinada fase, entregou 604 cv. Na terceira e última geração, o V10 foi novamente atualizado para 654 cv. Preparadores conseguem extrair mais de 1.000 cv desse motor sem perda significativa de confiabilidade.
3. Bugatti Tourbillon
- Deslocamento: 8.355 cm³ (V16 8,4)
- Potência: 1.000 cv (motor), 1.800 cv com sistema híbrido
O modelo atual da Bugatti utiliza um V16 8,4 litros desenvolvido pela Cosworth. É apontado como o maior motor europeu da era moderna aplicado em carro de rua. Produz 1.000 cv em regime puramente mecânico e, com assistência híbrida, a potência sobe para 1.800 cv. Em comparação estrita de deslocamento, esse V16 de 8.355 cm³ foi colocado abaixo do V10 do Dodge Viper, que tem 8.382 cm³.
4. Cadillac Eldorado
- Série 472 (lançada): 7,7 litros (1968)
- Versão para Eldorado (1970): 8,2 litros / 500 polegadas cúbicas
- Potência declarada (1970): 405 cv (brutos)
- Potência líquida final (1976): 192 cv e Torque: 50 kgfm
A Cadillac chegou a estudar um V12 no fim dos anos 1960, mas acabou adotando um V8 maior: a Série 472 foi lançada em 1968 com 7,7 litros. Em 1970, a versão de 8,2 litros (500 polegadas cúbicas) equipou o Eldorado, com potência declarada de 405 cv em medidas brutas. Com a crise do petróleo e mudanças de taxa de compressão, o bloco foi ajustado e, até 1976, passou a render apenas 192 cv líquidos e 50 kgfm.
5. Chevrolet Suburban e Silverado (Vortec 8.1)
- Deslocamento: 8,1 litros (Vortec 8100)
- Potência: entre 213 cv e 345 cv, conforme aplicação
- Torque: até 62,9 kgfm
- Produção: até 2009
Os big blocks V8 norte-americanos permaneceram em produção principalmente para picapes e SUVs grandes nas décadas de 1980 e 1990. A Chevrolet manteve a tradição com o Vortec 8100, última evolução do Big Block iniciado em 1958, aplicado em Suburban 2500, Silverado 2500/3500 e no caminhão Kodiak. A potência variava conforme a aplicação, e o motor foi produzido até 2009, quando modelos pesados como o caminhão Topkick saíram de linha. Hoje, a GM utiliza um 6.6 mais compacto, derivado do Small Block, com 407 cv e 64 kgfm em aplicações pesadas.









