Simulação em OpenFOAM pela Premier Aerodynamics mostra que retirar as abas reduz o coeficiente de arrasto de 0,38 para 0,37 a 100 km/h. O ganho é mínimo e expõe a picape a maior risco por altura livre do solo.
Retirar os para-barros da Toyota Hilux de oitava geração reduz o arrasto aerodinâmico, mas o ganho é modesto diante de um problema estrutural maior: a altura livre do solo. Essa é a conclusão de uma simulação realizada pela consultoria Premier Aerodynamics com a picape rodando a 100 km/h, em estudo divulgado em vídeo.
A empresa recorreu ao OpenFOAM, software de código aberto para dinâmica dos fluidos computacional (CFD), para avaliar o efeito das abas de borracha instaladas atrás das rodas. Com os para-barros instalados, o coeficiente de arrasto (Cd) da picape sobe de 0,37 para 0,38. Segundo o apresentador da análise, remover as peças economizaria cerca de US$ 70 por ano em combustível, o equivalente a R$ 358, considerando uso predominantemente rodoviário e os preços praticados nos Estados Unidos.
O diagnóstico técnico, porém, mostra que o impacto das abas é secundário diante da geometria da suspensão. As abas prejudicam a aerodinâmica por interromper o fluxo de ar em uma região mais alta da carroceria, mas apenas agravam um problema já existente: a suspensão elevada gera grandes esteiras de turbulência ao redor das rodas. A simulação indica que a frente da Hilux mantém o ar colado à carroceria de forma eficiente, e é justamente atrás das rodas dianteiras que esse fluxo se desprende devido ao vão livre entre roda e para-lama.
Para reduzir efetivamente a resistência aerodinâmica, a análise aponta mudanças mais eficazes: cobrir a caçamba — preferencialmente com uma capota do tipo fastback, de linha inclinada — ou rebaixar a suspensão. Essas intervenções atuam diretamente na gestão do fluxo sobre a zona traseira da carroceria, onde os ganhos são maiores do que a simples remoção de para-barros.
O estudo também critica elementos de estilo da oitava geração da Hilux que prejudicam a origem do arrasto: arcos de roda pronunciados e colunas A com ângulo acentuado, características que ampliam a resistência sem função prática evidente do ponto de vista aerodinâmico. Ainda assim, a consultoria observou que a picape se comporta melhor do que a silhueta sugere: a linha de carroceria entre a caixa de roda traseira e a tampa da caçamba atua como um difusor, e o fluxo de ar sobre a caçamba está relativamente bem controlado.
Em análise anterior, a mesma consultoria concluiu que a Ram Dakota de segunda geração também se mostrava mais aerodinâmica do que aparentava. Para proprietários que considerem remover para-barros, a recomendação técnica vem acompanhada de um lembrete prático: os para-barros existem para conter respingos de água, barro e cascalho na própria carroceria e nos veículos que seguem atrás. A Resolução 888/2021 do Contran estabelece requisitos de sistema antispray para caminhonetes e de dispositivo protetor de roda para automóveis, camionetas e utilitários, com prazos escalonados de aplicação.





