A fabricante assegurou proteção do desenho industrial da scooter, sem anunciar cronograma de vendas. Analistas apontam proteção da propriedade intelectual e avaliação estratégica, sem confirmação de venda.
A Bajaj registrou no Brasil o desenho industrial da scooter elétrica Chetak, movimento que costuma aumentar a expectativa sobre uma possível comercialização. O registro protege o projeto e garante direitos sobre o design no país, mas não confirma lançamento ou cronograma de vendas.
Mesmo com o desenho protegido, nenhum pronunciamento da marca indica oficialmente a vinda do modelo, e o mercado vê o registro como uma proteção de propriedade intelectual e planejamento estratégico — postura comum entre fabricantes que avaliam riscos e oportunidades antes de decidir pela venda. A cautela é reforçada por precedentes recentes do segmento elétrico no país, que mostram que registro e intenção não equivalem a sucesso comercial.
O histórico citado mais frequentemente é o da Yamaha. A Neo’s Connected marcou a estreia da Yamaha no segmento 100% elétrico no Brasil: foi apresentada no fim de 2024, produzida em Manaus desde janeiro de 2025 e chegou ao mercado com preço inicial de R$ 33.990. A moto não obteve vendas significativas e, segundo dados de emplacamentos, a Yamaha não apareceu entre as 15 marcas que mais emplacaram elétricas no país desde o início do ano. Em abril, a Yamaha promoveu um corte de R$ 8.000 no preço, reduzindo a Neo’s para R$ 25.990; atualmente a moto figura com preço de R$ 25.590 sem frete, ainda a mais cara entre as elétricas disponíveis no Brasil.
O cenário de base para a Chetak é desafiador: na Índia a Bajaj comercializa a scooter por um preço equivalente a cerca de R$ 5.000, valor agressivo, mas não há previsibilidade de quanto custaria uma versão produzida ou importada para o mercado brasileiro, considerando impostos, logística e adaptações regulatórias. Mesmo com preço competitivo, a Chetak teria de convencer um público que, até aqui, não abraçou em massa a categoria elétrica.
A Honda, por sua vez, registra no Brasil modelos e acompanha o cenário com mais cautela: após registrar recentemente a UC3, a marca afirmou que por enquanto não pretende trazer motos elétricas ao país. A fabricante condiciona a decisão a fatores como matriz energética, infraestrutura de recarga, características do mercado e perfil do consumidor.
“A Honda estuda continuamente a introdução de novas tecnologias no mercado brasileiro, mas segue a política de oferecer a tecnologia certa, no local certo, no momento certo”
Globalmente, a Honda já lançou scooters elétricas e modelos de bateria, e tem metas de redução de carbono até 2050, o que mantém a possibilidade de elétricos no futuro.
“Tudo é possível”
O modelo registrado, identificado como Chetak C2501, é a versão de entrada. Ela conta com motor elétrico de 2,2 kW, bateria de 2,5 kWh, autonomia declarada de até 113 km e velocidade máxima de 60 km/h. A recarga de 0 a 80% leva cerca de 2h25. Com peso de 107 kg, a C2501 tem compartimento sob o banco de 25 litros, painel LCD colorido, conectividade, modos Eco e Sport e assistente de partida em rampa. A carroceria é metálica, o freio dianteiro é a disco e o traseiro a tambor, e a bateria possui proteção IP67 contra água e poeira.
Além do registro, a Bajaj já exibiu a Chetak ao público brasileiro: o modelo foi mostrado no Festival Interlagos de 2023 e reapareceu em 2026 na etapa brasileira da MotoGP, em Goiânia, onde foi utilizada pela equipe KTM para deslocamentos internos no autódromo. Esses movimentos mantêm o interesse do mercado, mas não alteram o fato de que o registro não equivale a confirmação de venda.







