Fred Bittar, CEO do Comprecar, afirma que quem pesquisa e negocia encontra melhores condições no começo do ano. Fenauto aponta 1,34 milhão de usados vendidos em jan/2026, queda de 24,5% ante dezembro por despesas iniciais.
Não existe um mês perfeito para encontrar descontos em carros usados, mas janeiro e fevereiro costumam concentrar condições mais favoráveis para quem pesquisa, compara e está disposto a negociar, avalia Fred Bittar, CEO do Comprecar. A análise junta observações de mercado com dados oficiais do setor e aponta uma janela de barganha no início do ano.
Segundo a Fenauto, foram comercializadas 1,34 milhão de unidades usadas e seminovas em janeiro de 2026, em queda de 24,5% em relação a dezembro. A entidade atribui o recuo a despesas típicas do início do ano — como IPVA, IPTU e matrículas escolares — além do efeito do período de férias, que reduz o fluxo de compradores nas lojas.
Menos clientes na loja tende a ampliar o espaço de negociação, na prática resultando em maior folga para obtenção de abatimentos. O Comprecar, marketplace de anúncios que atua desde 2001 no interior de São Paulo, afirma que janeiro costuma registrar o maior volume de visitas ao portal, um sinal de aumento do interesse do consumidor no período. A empresa ressalva, porém, que esse indicador mede busca, não preço.
“Em relação à entrada de anúncios, preços e abertura dos lojistas para negociação, não temos hoje dados que permitam apontar um mês específico”
Para Bittar, o calendário tem peso, mas não é o único determinante da margem de desconto. Variáveis operacionais costumam ser mais decisivas: o tempo de permanência do veículo em estoque, o modelo e a versão, a demanda por aquele carro específico e as condições comerciais praticadas por cada loja influenciam diretamente a capacidade de negociação.
Um usado que ficou meses parado no pátio geralmente permite abatimentos maiores do que um modelo recém-chegado e disputado pelo mercado. Além disso, campanhas comerciais de fim de ano, renovação de estoque e fechamento de metas podem criar outras janelas pontuais ao longo do ano.
O período de calmaria esperado por quem planeja comprar no início do ano costuma ser breve. Pelos dados da Fenauto, fevereiro de 2026 já cresceu 1,7% sobre janeiro, e março disparou 22,8% na comparação mensal, com 1,67 milhão de unidades negociadas. Ou seja, a folga para pechinchar tende a se reduzir conforme o mercado retoma o ritmo.





