Produzida em Santa Bárbara d’Oeste, a Romi-Isetta foi lançada há 70 anos como o primeiro carro em série no país. Américo Emílio Romi e o enteado Carlos Chiti licenciaram a microcúpula da Iso e industrializaram a oficina.
Instalada em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, a Romi foi referência da indústria nacional que evoluiu a partir de uma oficina mecânica. Prestes a completar 100 anos, a empresa criada pelo industrial paulista Américo Emílio Romi surgiu de uma oficina e, há 70 anos, apresentou o primeiro automóvel brasileiro produzido em série: a Romi-Isetta.
A Isetta foi idealizada na Itália pela Iso Autoveicoli S.p.A. e licenciada para fabricantes em diferentes países. A ideia de produzir a microcúpula no Brasil foi de Carlos Chiti, enteado e sócio de Emílio Romi, que considerou o carro urbano e acessível adequado à realidade brasileira da época.
Emilio Romi, filho de imigrantes italianos, residiu na Itália até a Primeira Guerra Mundial; ferido em combate, voltou ao Brasil em 1923 após casar-se com Olímpia Gelli Chiti. Acumulou experiência como mecânico em revendas Alfa Romeo e Chevrolet antes de fundar, junto a Carlos Chiti, a Garage Santa Bárbara em 1929. A oficina passou a produzir máquinas agrícolas, tornos e o trator Toro. Em 1955, a equipe embarcou para a Europa e retornou com a concessão da Iso para fabricar a Isetta no país.
O acesso ao habitáculo era feito pela única porta frontal. Um banco único acomodava dois adultos e uma criança. O conjunto mecânico original era um motor monocilíndrico de dois tempos, refrigerado a ar, 198 cc e 9,5 cv, acoplado a transmissão manual de quatro marchas. A Romi-Isetta prometia alcançar 85 km/h e registrar consumo de 26 km por litro de gasolina. A coluna de direção basculava junto com a porta e a alavanca do câmbio, posicionada para a mão esquerda, exigia adaptação do motorista.
Menos de um ano depois do início do projeto, em 30 de junho de 1956, a Romi produziu a primeira unidade da Isetta brasileira; Emílio conduziu o microcarro acompanhado de Olímpia sob aplausos dos operários. O lançamento oficial ocorreria apenas em setembro: no dia 5 uma frota de Romi-Isetta desfilou pelo Centro de São Paulo sob o comando de Carlos Chiti.
A demanda foi impulsionada por ampla campanha publicitária. Em 1957 a carroceria recebeu pequenas alterações e a cilindrada subiu para 236 cc. Em janeiro de 1958 uma caravana com 33 exemplares percorreu o trajeto de São Paulo ao Rio de Janeiro, sendo recebida por autoridades e personalidades da época. Vários fornecedores nacionais passaram a suprir componentes: entre eles Saturnia (baterias), Sueden (molas), Tecnogeral (chassi/carroceria), Amortex (amortecedores), Same (material elétrico), Orion (peças de borracha), Blindex (para-brisa), Djalma (limpadores), Probel e Plexon (assentos) e Pirelli (pneus).
Em 1959 surgiu o modelo 300, com acabamento revisto e adoção do motor BMW de quatro tempos, 298 cc, com aumento de 3,5 cv — um ganho de potência estimado em 40% — além de interior redesenhado e novo volante de três raios. A nacionalização da Romi-Isetta avançou de 70% para 78%. Em 15 de março de 1959 Emílio Romi faleceu em razão de um derrame cerebral. A consagração simbólica do modelo ocorreu em 2 de fevereiro de 1960, quando o presidente Juscelino Kubitschek recebeu a Caravana da Integração Nacional em Brasília e desfilou em uma Romi-Isetta de capota aberta.












