A Leapmotor decidiu eliminar de vez a bateria de 12V de seus carros a partir de 2027. A marca apresentou a terceira geração das suas baterias estruturais, batizada de CTC 3.0, que passa a unificar o circuito de baixa tensão na própria bateria de tração, integrando funções que até então eram atendidas por uma unidade independente de 12 volts.
A mudança busca resolver desafios clássicos dos elétricos: peso, ocupação de espaço e necessidade de substituição periódica das baterias de chumbo-ácido. A norma de segurança ISO 26262 exige que sistemas como destravamento de portas, chamada de emergência (eCall) e airbags funcionem de forma autônoma se a rede de alta tensão for desligada durante uma colisão. Além disso, os contatores da bateria principal dependem de um pulso de baixa voltagem para “acordar” no momento em que o carro é ligado — requisitos que a nova arquitetura procura manter sem um módulo 12V separado.
Fabricantes como BYD, Tesla e Porsche já trocaram baterias de chumbo-ácido por soluções de íons de lítio mais compactas. A Leapmotor eleva o conceito ao integrar o circuito de baixa tensão à bateria principal estrutural, que está integrada ao chassi. A arquitetura CTC 3.0 dispensa módulos separados e usa as mesmas células para gerenciar tensões alta e baixa, compartilhando sistemas de distribuição de energia e controle térmico. O desenho promete otimização de espaço e redução de massa, além de eliminar um componente sujeito a falhas inesperadas e manutenção periódica.
Com esta mudança, os Leapmotor passam a ter um circuito de baixa tensão com sete vezes mais capacidade, podendo garantir o funcionamento ininterrupto de telas, limpadores e faróis. Do ponto de vista do usuário, a principal vantagem anunciada é o fim da manutenção de uma peça que costuma falhar sem aviso prévio.
A alteração no gerenciamento elétrico acompanha uma reorganização mecânica incomum introduzida na nova plataforma Leap 5.0. O objetivo da engenharia foi liberar o espaço normalmente ocupado por componentes do sistema eletroeletrônico para privilegiar a área dos passageiros. A mudança mais curiosa é o deslocamento do ar-condicionado: em vez de tomar espaço na região do painel frontal, o sistema de climatização foi integrado ao trem de força traseiro.
Segundo a fabricante, a realocação liberou 19% de espaço na dianteira e reduziu as tubulações em 30%. A solução melhora o conforto para os joelhos, embora transfira a complexidade térmica para o fundo do veículo, o que pode alterar o formato de futuras manutenções. Na mesma lógica, as torres dos amortecedores dianteiros usam peças redesenhadas, em alumínio, empurradas para as extremidades; o reposicionamento gerou um aumento de 37,5% no espaço para as pernas de motorista e carona.
O formato em skate da plataforma também resulta num assoalho plano que, somado a um teto ligeiramente mais alto, amplia o pé-direito da cabine em 63,7%. As tecnologias estrearão simultaneamente nos novos produtos da Leapmotor no exterior a partir de 2027. Como a operação global da fabricante chinesa é gerenciada pela Stellantis, as inovações logo farão parte do catálogo de importados do grupo no Brasil, e podem ainda ser integradas a outros carros do grupo no futuro.






