A estação ultrarrápida em concessionária Denza já opera e carregou o cupê Z9 GT em 9min29s. A BYD quer 1.000 pontos no país até 2027 e escolheu Brasília por seu grande mercado de elétricos.
Com a promessa de instalar 1.000 pontos no país até o final de 2027, o primeiro carregador ultrarrápido da BYD já começou a operar em Brasília (DF). A estação de 1.500 kW foi instalada em uma concessionária da marca de luxo Denza e foi apresentada como capaz de entregar uma carga completa no cupê Denza Z9 GT em menos de dez minutos.
A escolha da capital federal para a primeira operação comercial da tecnologia nas Américas não ocorreu por acaso: Brasília é o segundo maior mercado de veículos eletrificados do país, com 5.048 emplacamentos registrados em agosto, atrás apenas de São Paulo. No cenário nacional, a frota de modelos eletrificados superou 951.000 unidades acumuladas desde 2022, o que pressiona a demanda por infraestrutura de recarga rápida nas cidades e rodovias.
A grande barreira técnica para instalar pontos de altíssima potência é a capacidade de fornecimento da rede elétrica local. Para contornar essa limitação sem sobrecarregar o sistema público, o equipamento — avaliado em R$ 1,8 milhão — funciona com um banco interno de baterias estacionárias. O conjunto utiliza quatro baterias do tipo Blade, somando uma capacidade equivalente à de quatro veículos idênticos ao Z9 GT.
A lógica de operação é semelhante à de um reservatório: a estação acumula energia da rede em fluxo contínuo e de baixa potência ao longo do dia, estocando eletricidade para liberá-la em alta potência no momento do plug. Essa arquitetura permite instalar o sistema em locais onde a infraestrutura convencional não conseguiria alimentar um ponto de forma contínua.
Há, porém, limitações práticas: a capacidade de realizar recargas ultrarrápidas consecutivas depende do nível de carga do banco estacionário, exigindo intervalos para reposição do estoque de energia. Na demonstração oficial, o Denza Z9 GT recuperou 87% da carga em nove minutos e 29 segundos, mas o fabricante não detalha quanto tempo a estação leva para reabastecer suas baterias internas após múltiplos usos.
Embora a estação seja capaz de entregar até 1.500 kW, o rendimento no Brasil fica limitado a 1.000 kW por questões físicas dos conectores do padrão europeu CCS2. Mesmo assim, esse patamar representa de 12 a 17 vezes a taxa dos carregadores rápidos convencionais de 60 kW a 80 kW que são comuns nas rodovias brasileiras. Até então, a referência mais veloz no país eram estações de 350 kW, que demandam cerca de 18 minutos para elevar a carga de 10% a 80%.
Por enquanto, o Denza Z9 GT é o único carro comercializado no mercado nacional apto a aceitar esse fluxo contínuo de energia, pois utiliza a plataforma e³ e a segunda geração das baterias Blade com integração ao chassi, preparadas para suportar altas correntes sem elevação excessiva de temperatura. Outros veículos com tomada CCS2 podem se conectar ao equipamento sem riscos, mas a velocidade de recarga será limitada pelo gerenciamento interno de cada modelo: a maioria dos veículos elétricos vendidos no Brasil aceita picos entre 150 kW e 250 kW, o que mantém os tempos de recarga desses automóveis semelhantes aos atuais.
A unidade de Brasília marca o início de um plano mais amplo da marca chinesa no país; na China, a tecnologia já contabiliza cerca de 10.000 pontos em operação, servindo como referência para adoção de modelos de maior voltagem.







