No mercado atual, R$ 70.000 não são suficientes para comprar um carro zero-quilômetro, mas em 2019 o mesmo orçamento permitia escolher entre jipe, SUV, hatch, sedã e minivan. Em 2019 foi feita uma análise comparativa entre cinco modelos que custavam em torno de R$ 70.000, cada um representando um segmento diferente. Hoje revisitamos esse comparativo para avaliar como esses veículos estão posicionados no mercado de usados e diante dos modelos zero-km que dominam a tabela de preços em 2026.
Como exemplo entre os hatchbacks, o Toyota Yaris 1.3 XL Plus vinha em 2019 com câmbio automático CVT e o pacote Plus Tech, que substituía o ar-condicionado analógico por um sistema automático e digital. A lista de equipamentos incluía central multimídia, partida por botão, banco traseiro bipartido, vidros elétricos, controle de estabilidade (ESP) e assistente de partida em rampas. A versão XL Plus utilizava o motor 1.3 flex de quatro cilindros e 101 cv; o desempenho registrado no teste de época foi 0 a 100 km/h em 12,3 s, apenas 0,3 s mais lento que a unidade 1.5 da linha. O consumo médio com gasolina ficou em 12,1 km/l na cidade e 14 km/l na estrada.
Atualmente a linha Yaris prepara sua despedida no Brasil: hatch e sedã saem de linha para dar espaço ao Yaris Cross, um SUV compacto cujo preço já ultrapassa a barreira dos R$ 149.990 — mais que o dobro do pedido pelo hatch intermediário em 2019. No mercado de usados, uma unidade do Yaris 1.3 com o pacote Plus Tech foi tabelada em R$ 74.331 pela referência de preços do setor.
Entre os sedãs compactos, o Fiat Cronos chegou ao mercado em 2018 e em 2019 a versão Precision automática era a mais cara da gama, custando R$ 71.990. Em 2026 a nomenclatura Precision ainda aparece na linha, mas o preço de tabela da versão topo subiu para R$ 125.990, e a arquitetura mecânica evoluiu: o motor 1.8 de quatro cilindros e 139 cv e o câmbio automático de seis marchas deram lugar ao 1.3 aspirado de 107 cv com transmissão CVT.
No teste de 2019, o Cronos 1.8 cumpriu 0 a 100 km/h em 11,2 s, com consumo de 12 km/l no ciclo urbano e 14,2 km/l no rodoviário. O sedã compensava a mecânica mais antiga com atributos de conforto: porta-malas de 525 litros, volante revestido em couro, central multimídia, piloto automático, luzes de posição em LED, sensor de estacionamento e aletas para trocas manuais. Hoje a referência de preços de usados indica tabela de R$ 64.471 para o Cronos 1.8 Precision 2019.
No segmento das monovolumes, o Citroën Aircross referido é o Aircross original — a variante aventureira da minivan C3 Picasso vendida entre 2010 e 2020 — e não o SUV homônimo lançado mais recentemente. Em 2019 a configuração 1.6 Live custava R$ 70.990 e priorizava conforto: direção de calibragem leve, suspensão voltada à maciez e bom espaço para a cabeça. O porta-malas comportava 403 litros. O motor 1.6 de quatro cilindros entregava 118 cv e vinha acoplado a câmbio automático de seis marchas. Na pista de teste, o 0 a 100 km/h marcou 14,2 s; o consumo registrado foi 10,3 km/l na cidade e 13,8 km/l na estrada.
O panorama traçado por esses exemplos mostra duas tendências claras: a inflação de preços nos últimos anos e a mudança de estratégia de produto das montadoras, com downsizing de motores e adoção crescente de caixas CVT em substituição a transmissões automáticas tradicionais. Modelos que custavam cerca de R$ 70.000 em 2019 migraram para segmentos superiores ou saíram de linha, enquanto o mercado de usados absorveu boa parte do estoque com variações de tabela que dependem do modelo, quilometragem e estado de conservação.




















