A Citroën mostrará no Salão de Paris um 2CV neo-retrô e elétrico voltado ao uso urbano. Desenvolvido com tecnologia da chinesa Leapmotor para reduzir custos, o modelo tem lançamento previsto para 2028.
A Citroën vai revelar no Salão de Paris, na próxima semana, a nova versão do 2CV como um carro elétrico urbano com apelo popular. O modelo seguirá um desenho “neo-retrô” e terá como principal trunfo um preço inicial abaixo dos 15.000 euros (cerca de R$ 91.500). Para alcançar essa faixa de preço, a marca trabalhará com a tecnologia da Leapmotor, parceira da Stellantis, reduzindo custos de desenvolvimento e produção.
A previsão de lançamento comercial é para 2028. A retomada do 2CV integra a ofensiva da Stellantis para oferecer veículos de emissão zero mais acessíveis na Europa. O hatch será construído sobre a nova arquitetura dedicada ‘E-Car’, distinta da plataforma Smart Car usada no atual Citroën C3, com foco em custos e eficiência para viabilizar mobilidade elétrica barata.
A montagem do novo 2CV ficará concentrada na fábrica de Pomigliano d’Arco, na Itália. O modelo será projetado para atender aos requisitos da futura regulamentação europeia para subcompactos de até 4,20 m de comprimento, condição que garante elegibilidade a subsídios governamentais no continente.
Para reduzir custos, a Citroën deverá equipar o 2CV com baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), conhecidas por serem mais baratas, duráveis e por dispensarem metais raros. O conjunto elétrico priorizará eficiência e usabilidade urbana em vez de desempenho elevado. Se o pacote seguir a referência antecipada, o carro pode adotar uma bateria na ordem de 27,5 kWh, um motor elétrico de aproximadamente 80 cv e 17,8 kgfm, e autonomia rodoviária em torno de 262 km com carga completa.
O projeto visa um comportamento de roda suave e previsível, adequado à circulação citadina, trocando acelerações vigorosas por eficiência operacional e baixo custo de uso. O time de design, liderado por Pierre Leclercq, preservou traços clássicos do 2CV sem transformá-los em paródia: as imagens oficiais mostram faróis redondos protuberantes nos para-lamas e as ranhuras no capô, elementos que remontam ao modelo original.
A carroceria do novo 2CV deverá medir menos de 4 metros, mas compensará o tamanho compacto com uma cabine de teto mais alto que proporciona espaço interno maior do que o porte exterior sugere. A proposta é manter a praticidade e a modularidade que marcaram a história do modelo.
O uso do nome 2CV é deliberado: lançado em 1948, o original tinha a missão de motorizar a França no pós-guerra, com requisitos de ser barato, fácil de reparar e capaz de transportar pessoas e carga em estradas simples. O 2CV histórico teve motorização humilde — dois cilindros contrapostos e refrigeração a ar — e soluções mecânicas simples que garantiram longevidade: produção contínua até 1990 e mais de cinco milhões de unidades fabricadas.
O novo projeto busca aplicar a mesma receita de simplicidade, leveza e foco no essencial para popularizar a mobilidade elétrica, comprovando se um carro elétrico acessível pode repetir o papel social e comercial do 2CV original no contexto contemporâneo.








