Em Bruxelas, a Toyota propôs mudanças na Lei do Acelerador Industrial e no Pacote Automóvel da UE. A empresa apoia conteúdo regional, mas quer que parceiros fora do bloco também possam usar o selo.
A Toyota quer mudar as regras que a União Europeia prepara para a indústria automotiva e apresentou propostas para esse fim. As propostas foram apresentadas pela Toyota Motor Europe na última sexta-feira (16), em Bruxelas, e miram duas iniciativas do bloco: a Lei do Acelerador Industrial e o Pacote Automóvel, que revisa as metas de CO₂.
Pela proposta da Comissão Europeia, um carro elétrico só receberá incentivos públicos se tiver 70% de conteúdo europeu, sem contar a bateria. A Toyota apoia a ideia do conteúdo regional, mas defende estender o selo “Fabricado na Europa” a parceiros de confiança, incluindo países fora da UE.
Segundo a empresa, excluir o Japão, o Reino Unido e a Turquia prejudica investimentos, empregos e transferência de tecnologia. Com a inclusão desses mercados, o universo considerado como europeu alcançaria cerca de 31 milhões de veículos. O interesse da montadora é direto: a marca tem fábricas no Reino Unido e na Turquia.
Na proposta encaminhada à Comissão, a fabricante pede que a exigência de conteúdo regional seja implementada de forma escalonada, atingindo os 70% em um prazo de três anos, e que a regra passe a valer apenas a partir de 2030. A Toyota também solicita que o parâmetro passe a ser de 70% sobre o total de vendas, em vez dos 85% que estavam em discussão, e que veículos movidos a hidrogênio fiquem temporariamente excluídos dessa contagem.
Em relação à transição para veículos 100% elétricos, a Toyota sustenta que a adoção pelos consumidores ocorre mais lentamente do que Bruxelas prevê. A montadora projeta que cerca de 45% das vendas serão de elétricos em 2030, ante mais de 55% exigidos pelas regras atuais. Para mitigar esse descompasso, a proposta da empresa sugere um prazo de cinco anos para cumprimento das metas, entre 2028 e 2032, e um objetivo de corte de 90% nas emissões em 2035, em vez dos 100% previstos nas propostas vigentes.
Além disso, a Toyota pleiteia que combustíveis renováveis e aço de baixo carbono contem pontos no cálculo de conformidade, buscando flexibilizar os critérios técnicos que definem a contribuição de fornecedores e insumos para as metas de CO₂.
No Brasil, a proteção à indústria local segue caminho distinto: o imposto de importação sobre carros elétricos chegou a 35% em julho, após quatro aumentos. Na Europa, as propostas da Comissão Europeia ainda dependem da aprovação pelos países do bloco e pelo Parlamento Europeu antes de se tornarem regras definitivas.





