O Grupo SHC, controlado pelo empresário Sergio Habib, entrou com pedido de recuperação judicial nesta terça-feira (6). Habib comanda a operação da Jac Motors no Brasil desde a chegada da marca chinesa ao país, em 2011.
O grupo declarou R$ 239,5 milhões em dívidas e incluiu 44 empresas no pedido de recuperação judicial. Na recuperação judicial, a empresa continua funcionando enquanto negocia com os credores um plano para pagamento das obrigações. É a segunda vez que o grupo recorre a esse instrumento: a primeira recuperação começou em novembro de 2018, com R$ 517,7 milhões em dívidas, e foi encerrada em maio de 2025, cerca de um ano e cinco meses antes do novo pedido.
Fontes indicaram que um grande banco teria mais de R$ 100 milhões a receber. Bancos e fundos também relatam dificuldade para localizar e retomar carros dados como garantia de empréstimos, o que complica a recuperação de ativos ligados a operações de crédito automotivo. O Grupo SHC não respondeu aos pedidos de comentário.
O pedido de recuperação judicial ocorre em meio a um encolhimento acentuado da marca no mercado brasileiro. Em 2025, a Jac registrou 988 emplacamentos de automóveis e comerciais leves, queda de 51,1% ante os 2.022 de 2024, enquanto o mercado geral cresceu 2,58%, segundo dados da Fenabrave. A retração prosseguiu em 2026: de janeiro a julho foram 346 emplacamentos, 43,8% a menos do que no mesmo período de 2025. A rede de concessionárias foi reduzida e hoje se resume a três pontos de venda.
O histórico de expansão e as apostas comerciais ajudam a explicar a trajetória da empresa. Em 2011, a estratégia de chegada ao mercado nacional incluiu a inauguração de 50 concessionárias num único dia, movimento agressivo para ganhar escala. O plano também previa uma fábrica na Bahia, estimada em R$ 1 bilhão, que não saiu do papel. Anos depois houve uma aposta na importação de veículos elétricos, sem sucesso comercial suficiente para reverter a retração.
Além da operação com a Jac, o Grupo SHC manteve por 28 anos uma parceria com a Citroën, cuja rede de concessionárias constituía um dos negócios mais relevantes do grupo. Na primeira recuperação judicial, o SHC havia atribuído a crise setorial ao fim dessa parceria, à retração do mercado e às restrições do programa Inovar-Auto às importações.
O novo pedido de recuperação judicial abre um período de negociação com credores e possível reestruturação societária e operacional da operação da Jac no Brasil, com impactos diretos sobre rede de concessionárias, fornecedores e contratos de financiamento vinculados à marca.





