Carros modernos ligam e já podem seguir viagem — não é preciso ficar aguardando o motor aquecer. Ainda assim, o motor precisa atingir a temperatura ideal; somente trajetos muito curtos exigem medidas especiais.
A primeira partida do carro no dia já foi algo que levava tempo. Podia ser necessário puxar o afogador, bombear o acelerador e aguardar o motor esquentar antes de poder sair. O avanço da tecnologia simplificou esse procedimento: basta acionar a chave ou o botão de partida que o carro liga e já pode seguir viagem.
Apesar disso, as leis da termodinâmica continuam válidas: o motor precisa alcançar a temperatura ideal de trabalho para render e lubrificar corretamente. Isso, contudo, não significa que seja necessário permanecer alguns minutos na garagem aguardando o aquecimento antes de partir.
As evoluções nos motores a combustão reduziram o tempo de aquecimento. Componentes como a válvula termostática e ajustes na injeção eletrônica aceleram a chegada à temperatura de trabalho e regulam a marcha lenta nos instantes seguintes à partida. Por isso, logo após acionar o motor ele costuma permanecer com rotação elevada por alguns minutos.
O mecânico Ludovico Ballesteros, proprietário do Pitucha Centro Automotivo, afirma que a espera é mais uma recomendação do que uma obrigação.
“É aconselhável fazer isso, mas não é obrigatório fazer”
Segundo o especialista, a circulação do óleo lubrificante até as partes superiores do motor em carros modernos ocorre em poucos segundos. Em termos práticos, um veículo atual leva cerca de 20 minutos para atingir a temperatura ideal de trabalho; o ponteiro do medidor de temperatura do arrefecimento costuma ficar no meio da escala quando isso acontece. Em modelos sem termômetro, pode haver uma luz indicadora de motor frio — geralmente verde — que se apaga ao atingir a temperatura adequada.
Rodar com o motor permanentemente frio é classificado pelos fabricantes como uso severo. Esse tipo de operação pode obrigar o proprietário a realizar as revisões em um intervalo reduzido, muitas vezes na metade do prazo padrão. O motor trabalhando frio, conforme descrito pelo especialista, apresenta maior suscetibilidade a desgastes prematuros.
Os componentes internos mais afetados pelo uso com o motor frio são pistões, casquilhos e outras peças internas do propulsor. O reparo desses itens costuma ser mais caro e exige desmontagem do motor.
Para minimizar riscos, a orientação técnica é dirigir com suavidade enquanto o motor estiver frio: evitar altas rotações e acelerações fortes nos primeiros minutos preserva as peças e reduz a probabilidade de falhas prematuras.
Em situações específicas, entretanto, é preferível aguardar o aquecimento antes de sair. Se você irá sair de carro para um trajeto curto — inferior a 20 minutos ou a 5 km — é recomendável deixar o veículo esquentando por alguns minutos antes de partir, para que atinja a temperatura ideal e reduza o desgaste.
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