Elétricos diminuem custos com manutenção do motor, mas aceleram o desgaste dos pneus. É essencial escolher pneus de baixa resistência ao rolamento e com índice de carga adequado para manter autonomia e segurança.
A adoção de veículos elétricos reduz custos de propriedade em função da menor manutenção do motor elétrico, mas impõe cuidados adicionais aos pneus. Revisões periódicas continuam a abranger alinhamento, filtro de cabine, fluido de freio e arrefecimento da bateria, enquanto o desgaste dos pneus tende a ser mais intenso em comparação a modelos a combustão.
Os automóveis elétricos têm exigências específicas para a borracha: os pneus precisam oferecer baixa resistência ao rolamento para preservar autonomia, reduzir ruído, suportar maior peso pelas baterias e lidar com torque instantâneo mais elevado. Essas características técnicas influenciam tanto a escolha de um pneu novo quanto a homologação adotada pelas montadoras.
“Os pneus desenvolvidos e homologados para veículos elétricos precisam atender a características específicas desses automóveis, determinadas pela fabricante do veículo no momento de seu desenvolvimento”
Fabio Magliano, consultor de treinamento e produtos da Pirelli para a América Latina, ressalta a importância de estrutura e composto apropriados para suportar o peso adicional das baterias, garantir baixa resistência ao rolamento e reduzir o ruído.
Em muitos casos, fabricantes já homologa m modelos generalistas aptos para uso em elétricos. Exemplo prático: o BYD Dolphin GS utiliza pneus na medida 205/50 R17, a mesma adotada por versões do Volkswagen Polo e do Nissan Versa. O BYD Dolphin Mini sai de fábrica com o Pirelli Cinturato P6, um pneu similar ao de modelos a combustão.
A Continental também homologa pneus generalistas para uso em carros elétricos, citando linhas como PowerContact 2, UltraContact e PremiumContact 6. Na hora da compra, é útil consultar a etiqueta do Inmetro para verificar o índice de resistência ao rolamento do pneu.
Ao substituir pneus, é fundamental respeitar o índice de carga indicado na lateral do pneumático, que aparece junto ao índice de velocidade. Por exemplo, a marcação 91V indica que o pneu suporta até 615 kg por roda, enquanto a letra V corresponde a limite de 240 km/h. Essa atenção é necessária porque hatches elétricos muitas vezes pesam mais: um hatch médio elétrico pode pesar acima de 1,5 tonelada, enquanto o equivalente a combustão costuma ficar em torno de 1.200 kg.
Alguns hatches elétricos populares compartilham medidas com SUVs compactos — caso do BYD Dolphin GS e do GAC Aion UT — o que facilita encontrar pneus com o índice de carga adequado. Além disso, fabricantes desenvolvem linhas específicas para veículos elétricos de alta performance.
“Os pneus com essa tecnologia possuem compostos e estruturas especialmente projetados para lidar com o peso adicional das baterias e o altíssimo torque instantâneo dos motores elétricos, além de oferecer baixa resistência ao rolamento, contribuindo para uma maior autonomia, e menor emissão de ruído, proporcionando mais conforto aos ocupantes”
Fabio Magliano descreve a linha Elect da Pirelli, destinada a elétricos e híbridos plug-in de alta potência nas categorias premium e prestige. Exemplos extremos de demanda por pneus especializados incluem modelos como o Porsche Taycan, que pode entregar mais de 1.000 cv e pesar mais de 2 toneladas, exigindo compostos e estruturas mais robustas.
Para proprietários e oficinas, a recomendação prática é checar sempre a homologação do fabricante do veículo, o índice de carga e a etiqueta de resistência ao rolamento antes de escolher um pneu de reposição, garantindo segurança, durabilidade e desempenho compatíveis com as especificidades dos veículos elétricos.







