O Inovar-Auto incentivou fábricas premium e fez a Audi retomar produção no Paraná. O A3 Sedan, lançado em 2013, veio ao Brasil em 2014 com adaptações locais que mantêm luxo e desempenho.
O Inovar-Auto, programa setorial do governo criado no começo dos anos 2010, trouxe mudanças relevantes para a indústria automotiva no Brasil e incentivou a instalação de linhas de montagem de marcas premium. Nesse contexto, a Audi retomou operações em uma planta no Paraná e apostou na produção do A3 Sedan, mantendo características de requinte e desempenho da marca, mas com adaptações para o mercado local.
A terceira geração do A3 foi a que estreou a carroceria Sedan. Lançado globalmente no Salão de Nova York de 2013, o três-volumes desembarcou no Brasil em janeiro de 2014, inicialmente importado da Hungria. O modelo começou com o motor 1.8 TFSI de 180 cv e, posteriormente, ganhou uma versão de entrada com o 1.4 TFSI a gasolina de 122 cv. Com a linha de montagem nacional, em 2015, esse 1.4 passou a ser flex e recebeu alterações que elevaram sua potência para 150 cv.
Ao longo de sua trajetória, o A3 Sedan também teve opção 2.0 mais potente, de 220 cv, passou por reestilização em 2017 e, em 2019, ganhou uma série especial 25 Anos, limitada a 600 unidades, em referência ao aniversário da marca no país. A primeira geração do sedã teve seu ciclo encerrado em 2020.
A produção nacional reinaugurou a planta da Audi em São José dos Pinhais (PR), unidade que havia sido aberta em 1998 para produção do Volkswagen Golf IV e que, entre 1999 e 2005, havia fabricado a primeira geração do A3 Sportback. Na mesma unidade paranaense, além do A3 Sedan, a Audi também produziu o Q3. Em dezembro de 2020 as operações na unidade foram suspensas; a montadora alegou falta de definição quanto aos créditos de IPI acumulados que não foram integralmente devolvidos. Atualmente, a planta opera em regime SKD para montagem do Q3.
Para reduzir custos de produção no Brasil, o A3 Sedan passou por simplificações mecânicas relevantes. A suspensão traseira independente multibraço foi substituída por um eixo de torção e o câmbio S tronic de dupla embreagem e sete marchas deu lugar a uma caixa automática Tiptronic com conversor de torque e seis marchas. Em compensação, o motor 1.4 TFSI flex, com comando variável no escape, entregou 150 cv, 28 cv a mais que a configuração europeia de 122 cv. A suspensão do modelo nacional foi elevada em 1,5 cm em relação ao importado.
Na relação entre desempenho e condução, o A3 Sedan com motor 1.4 flex, equipado com a família de motores EA211 turbo de injeção direta, ofereceu respostas rápidas ao acelerador. Segundo a fabricante, o 0 a 100 km/h ficava em 8,8 segundos. O torque de 25,5 kgfm estava disponível entre 1.500 e 4.000 rpm, favorecendo retomadas em estrada.
Apesar das alterações na suspensão, a construção do sedã preservou boa sensação de solidez em curvas e trechos de alta velocidade; a direção era descrita como firme e precisa. No interior, a versão nacional manteve acabamento condizente com o padrão da marca: painel com espuma injetada, revestimentos de qualidade nas portas e coluna e banco dianteiro com boa densidade. A central multimídia era do tipo basculante.
O espaço traseiro acomodava confortavelmente dois adultos e uma criança. A suspensão do exemplar brasileiro era mais macia que a do modelo importado e o A3 nacional trouxe rodas de aro 17” em algumas configurações.










