Proprietário relata ruídos no motor já aos 1.145 km e sequência de falhas que culminaram em perda de potência aos 11.484 km. Orçamento da autorizada no RJ supera o valor de tabela: R$ 32.076,98 vs R$ 29.990.
Um proprietário de uma Triumph Speed 400 reclamou, no último dia 24, de problemas mecânicos recorrentes e do atendimento recebido em concessionária autorizada da marca no Rio de Janeiro. Segundo o relato, a moto teve o motor desmontado e o orçamento apresentado pela loja ultrapassou o valor do veículo zero-quilômetro: R$ 32.076,98 contra R$ 29.990 de preço de tabela.
O primeiro registro formal de ruído no motor ocorreu com 1.145 km, logo após a revisão inicial de 1.000 km, e a partir daí a lista de intercorrências teria se ampliado. Aos 11.484 km a moto passou a perder potência, desligava em movimento, acionava a luz de injeção e não superava 80 km/h, além de apresentar falhas no ABS, no controle de tração e na sinalização. Em um dos episódios, a roda traseira travou em movimento, causando perda de controle e queda do piloto.
Com cerca de 30.000 km, o modelo apresentou nova avaria no motor em 21 de agosto de 2026 e permaneceu na concessionária desde então, com o reparo recusado sob a justificativa de ausência das revisões de 16 mil e 32 mil km e suposta falta de lubrificação. O plano de manutenção da linha 400 prevê revisão aos 1.000 km, em seguida aos 16.000 km e aos 32.000 km — ou dois anos após a compra. O proprietário contestou a negação da garantia e apresentou comprovantes de manutenção e troca de óleo aos 15.270 km e aos 29.582 km, esta última cerca de um mês antes da quebra.
“Até hoje não recebi laudo técnico capaz de demonstrar qual componente falhou primeiro, a causa efetiva da avaria ou o nexo entre as revisões e o dano encontrado”
O orçamento entregue em 25 de setembro listou dezenas de componentes internos do motor para recomposição, sem diagnóstico técnico detalhado demonstrando a sequência de falhas. Somados apenas os períodos que o proprietário conseguiu individualizar com documentos, foram contabilizados pelo menos 100 dias com a moto sem funcionar.
Após semanas sem retorno, o dono visitou a loja e encontrou o veículo desmontado e o motor ausente. Relata ainda ter enfrentado resistência ao registrar imagens e a tentativa, por funcionários, de apagar as luzes do local para dificultar registros. O caso foi registrado na Polícia Civil e no Procon, e está sendo preparado para judicialização com pedido de preservação do motor e das peças para perícia.
Na mesma concessionária há outro relato envolvendo o mesmo modelo. Um proprietário de uma Speed 400 seminova teve defeito na bomba de óleo aos 7.000 km; a loja trocou o virabrequim pela garantia, mas a moto voltou a apresentar falhas e o diagnóstico apontou folga entre biela, bronzinas e virabrequim. A intervenção incluiu juntas de cabeçote, base do cilindro, tampa da embreagem, tampa do magneto, filtro e fluidos.
“Eles falaram para mim que a minha, como é um dos primeiros modelos [2025], veio com defeito de fabricação na biela”
Enquanto um dos casos teve o motor refeito em garantia, o outro resultou em orçamento superior ao valor do veículo. O proprietário que teve o motor refeito relatou ainda períodos de imobilização prolongados — uma das revisões levou cerca de dois meses — e prazos de reparo que se estenderam por meses antes da devolução.
Reclamações semelhantes à Triumph Speed 400 aparecem em canais de consumo: entre 1º de abril e 30 de setembro de 2026 a marca registrou 273 reclamações, com taxa de resposta de 96,7% e resolução em 83,9% dos casos, segundo registros públicos de relacionamento com consumidores.








