Uma das operadoras de ônibus mais antigas de São Paulo encomendou 20 unidades do modelo elétrico Volvo BZRLE para operar em linhas urbanas. A Viação Gato Preto, fundada em 1927, escolheu o chassi elétrico como parte da renovação de frota: a empresa tem 370 ônibus e cerca de um terço deles são da Volvo.
Cada ônibus terá carroceria Caio eMillenium de 13,5 m e capacidade para 82 passageiros. O chassi do Volvo BZRLE reúne dois motores elétricos com potência combinada de 544 cv e quatro baterias de 90 kWh, que garantem autonomia de até 250 km, segundo a fabricante. Em um carregador de 250 kW, a recarga leva pouco mais de uma hora.
O projeto técnico do veículo inclui ainda um câmbio automatizado de duas marchas, dispositivo que contribui para a recuperação de energia nas frenagens e para a eficiência em ciclos urbanos. Essas soluções técnicas são parte do esforço para adaptar o uso do ônibus elétrico às demandas operacionais do transporte coletivo municipal.
A compra segue uma regra da cidade: desde outubro de 2022, as operadoras de São Paulo não podem incluir ônibus novos a diesel na frota. A exigência municipal acelera a substituição por veículos eletrificados e torna as aquisições desse tipo parte da estratégia de renovação para atender às normas locais.
A capital paulista concentra cerca de 80% dos ônibus elétricos do Brasil. Em setembro, a frota da cidade passou de 2 mil veículos, composta por 1.821 ônibus a bateria e 188 trólebus ligados à rede elétrica aérea. No país, os ônibus a bateria já passam de 2,2 mil, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), número ainda modesto frente aos cerca de 130 mil ônibus urbanos a diesel.
O ritmo de adoção vem acelerando: os emplacamentos saltaram de 86 unidades em 2023 para 849 em 2025. Entre as vantagens destacam-se a ausência de escapamento, menor emissão sonora, redução de vibrações e menos componentes sujeitos a desgaste, o que tende a reduzir custos de manutenção. Dependendo da tarifa de energia, o custo operacional por quilômetro pode ficar abaixo do equivalente a diesel.
As barreiras permanecem: o preço de um ônibus elétrico varia de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões, ante R$ 700 mil a R$ 900 mil de um modelo a diesel equivalente, e a infraestrutura de recarga nas garagens exige transformadores, subestações e carregadores. A autonomia limitada e a eventual necessidade de troca de baterias ao longo da vida útil também influenciam a equação econômica.
Para ampliar a tecnologia em outras cidades, o BNDES aprovou R$ 879,4 milhões para São José dos Campos (SP) trocar toda a frota por 400 elétricos até 2027. A previsão é que os elétricos sejam 28% dos ônibus urbanos vendidos no país em 2035.





