A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) divulgou, em 1º de fevereiro, o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular (MBEDV), documento que padroniza em nível nacional as regras para a prova prática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Entre as principais alterações, o manual elimina a baliza como etapa obrigatória do exame, optando por avaliar o candidato em situações reais de tráfego.
Segundo a Senatran, a mudança busca aproximar o teste das condições encontradas no trânsito diário. “A avaliação deixa de se restringir a uma manobra isolada, realizada em local sem interação com outros usuários da via, e passa a observar o condutor em um percurso em via pública”, afirma o órgão. A única remanescência da baliza ocorre na etapa final do trajeto, quando o candidato deverá estacionar o veículo.
Estados que suprimiram a baliza
Até o momento, 10 unidades federativas já dispensaram o teste de baliza na prova prática da CNH. Sergipe foi o mais recente a adotar a medida, na sexta-feira (30), somando-se a São Paulo, Amazonas, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Acre, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina aguardavam a publicação do manual antes de promover ajustes locais.
O Distrito Federal não exige a baliza desde 2004, enquanto Mato Grosso iniciou a eliminação gradual do teste em janeiro, com conclusão prevista até 10 de fevereiro.
Permissão de veículos automáticos em SP
Outra novidade implementada pelo Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) é a autorização para uso de carros com câmbio automático na prova prática, antes restrita a pessoas com necessidade de adaptação. De acordo com o órgão, a medida reconhece a crescente participação desses veículos na frota: apenas 15,7% dos modelos vendidos no Brasil possuem câmbio manual, segundo dados do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Opiniões de especialistas
Para a advogada especialista em direito de trânsito Laura Diniz, o fim da baliza pode negligenciar uma habilidade cotidiana essencial. “Estacionar corretamente influencia diretamente a segurança e a fluidez do tráfego. Retirar essa etapa sem compensação na formação prática do condutor pode ser prejudicial a longo prazo”, alerta.
Já a psicóloga de trânsito Cecília Bellina não vê necessariamente a retirada da baliza como negativa, mas critica alterações frequentes sem avaliação de resultados anteriores. Ela chama atenção para outras mudanças, como a redução de aulas práticas e o fim da obrigatoriedade de autoescola, cujos impactos ainda devem ser acompanhados.
Com informações de G1





