A Volkswagen registrou forte retração no resultado de 2025. O grupo alemão informou nesta terça-feira (10) que o lucro operacional caiu para 8,9 bilhões de euros, montante superior a 50% menor que o obtido no ano anterior. A cifra também ficou abaixo da projeção de analistas, que previam 9,4 bilhões de euros.
Segundo a montadora, a queda foi provocada sobretudo pelos custos adicionais gerados por tarifas comerciais dos Estados Unidos e pela disputa crescente no mercado chinês, onde a concorrência local tem reduzido a participação da empresa. Além disso, as despesas de uma mudança estratégica na Porsche – que suspendeu a aceleração de sua transição para veículos elétricos diante da demanda fraca – pressionaram as contas.
Margem encolhe e perspectiva é de recuperação moderada
A margem operacional do grupo, que reúne marcas como Porsche e Audi, recuou de 5,9% em 2024 para 2,8% em 2025. Para 2026, a companhia projeta um intervalo de 4% a 5,5%. A consultoria Visible Alpha aponta estimativa de 5,2% para o exercício corrente, no limite superior da faixa indicada pela Volkswagen.
“Estamos operando em um ambiente completamente diferente”, afirmou o presidente-executivo Oliver Blume no comunicado que acompanhou o balanço.
Receita estável e metas de crescimento contido
A receita líquida permaneceu praticamente inalterada, somando 322 bilhões de euros. Para 2026, a empresa espera avanço entre 0% e 3%, perspectiva que coincide com a estimativa mais otimista de analistas.
Reestruturação e cortes de custo
O diretor financeiro, Arno Antlitz, destacou que lançamentos de novos produtos e medidas de reestruturação tomadas ao longo de 2025 tornaram o grupo “mais resiliente” às dificuldades do mercado. Ele ponderou, contudo, que a margem operacional ajustada de 4,6% “ainda não é suficiente no longo prazo” e disse que a montadora continuará adotando ações rigorosas de redução de despesas.
Como parte desse esforço, o conglomerado pretende eliminar cerca de 50 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030. A decisão tem provocado críticas de sindicatos, sobretudo após a divulgação, em janeiro, de um fluxo de caixa líquido de 6 bilhões de euros em 2025 – resultado muito melhor que a projeção inicial, que era próxima de zero, e que impulsionou as ações da companhia.
Porsche quase zera lucro
Entre as marcas do grupo, a Porsche foi a que apresentou pior desempenho. O lucro operacional da fabricante caiu 98% em 2025, para 90 milhões de euros, reflexo do recuo temporário na ofensiva de veículos elétricos.
Com os números divulgados, a Volkswagen reafirmou que seguirá focada em disciplina de custos, melhoria de margens e ajustes em seu portfólio para enfrentar pressões tarifárias e a concorrência cada vez mais acirrada, especialmente na China.
Com informações de G1





