Maranello, 24 de abril – A Ferrari pretende voltar a utilizar sua polêmica asa traseira batizada de “Macarena” no Grande Prêmio do Japão de Fórmula 1. A peça foi testada pela primeira vez em situação oficial durante o único treino livre do GP da China, realizado em Xangai, e forneceu dados que, segundo a equipe, serão decisivos para aperfeiçoar o componente antes da próxima etapa.
O dispositivo, que se destaca pelo formato incomum das extremidades e pela forma como trabalha em conjunto com o sistema de redução de arrasto (DRS), ainda necessita de ajustes. De acordo com informações internas, o principal desafio é eliminar o desequilíbrio aerodinâmico identificado entre o tempo de fechamento da asa móvel dianteira e o da traseira. Essa diferença afeta a estabilidade do carro nas frenagens imediatamente após a zona de DRS.
Mesmo assim, os engenheiros da escuderia italiana avaliaram o primeiro teste como produtivo. A breve sessão em Xangai – a única oportunidade de pista livre em um fim de semana com formato de sprint – permitiu colher telemetria e feedback dos pilotos sobre como o fluxo de ar se comporta ao redor da parte posterior do SF-24.
Com as informações consolidadas, a Ferrari concentrou o trabalho no túnel de vento e em simulações virtuais realizadas em Maranello. O objetivo é sincronizar os atuadores hidráulicos que controlam as superfícies móveis, garantindo que a asa traseira e o elemento dianteiro reajam de maneira harmoniosa quando acionados ou recolhidos.
A expectativa interna é que a versão a ser levada ao Japão incorpore pequenas modificações nos mecanismos de abertura e fechamento, além de possíveis reforços estruturais para lidar com as cargas geradas em sequência de curvas de alta velocidade. Caso os resultados dos testes de fábrica confirmem a eficácia dessas soluções, o equipamento deve ser instalado já na primeira sessão de pista do fim de semana nipônico.
O retorno do recurso aerodinâmico faz parte da estratégia da Ferrari para ampliar o leque de configurações disponíveis e se manter competitiva em diferentes tipos de circuito ao longo da temporada. Embora a equipe não revele metas específicas, a meta é reduzir a perda de tempo nas retas sem comprometer o desempenho nas curvas.
Se os ajustes surtirem efeito, a “Macarena” poderá se firmar como opção regular nos GPs seguintes. Em caso contrário, o time deve alternar entre o novo conceito e a asa convencional, avaliando caso a caso qual solução oferecerá o melhor equilíbrio entre eficiência e aderência.
Fonte: MotorSport





