O valor médio do litro do diesel vendido nos postos brasileiros avançou 11,8% na última semana e atingiu R$ 6,80, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referente ao período de 8 a 14 de março. O estudo, divulgado nesta sexta-feira (13), mostra que o reajuste ocorreu antes mesmo do último aumento anunciado pela Petrobras e ainda não incorpora a redução de tributos apresentada pelo governo federal na quinta-feira (12).
A mesma pesquisa identificou que o preço máximo cobrado pelo diesel chegou a R$ 8,49 em alguns pontos do país. Na semana imediatamente anterior, o combustível custava, em média, R$ 6,08.
Gasolina e etanol também registram alta
Além do diesel, a ANP apurou elevação nos preços de outros combustíveis entre 8 e 14 de março. A gasolina comum foi comercializada a R$ 6,46 o litro, avanço de 2,54% frente aos sete dias anteriores. Já o etanol hidratado teve alta de 0,65% e fechou o período com valor médio de R$ 4,64 o litro.
Conflito no Oriente Médio pressiona petróleo
O aumento expressivo está ligado à escalada das cotações internacionais do petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio. Em março, o barril saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 100, encarecendo a principal matéria-prima dos combustíveis.
No Brasil, o diesel é o combustível dominante no transporte de cargas. Quando seu preço cresce, o frete costuma subir e o impacto se espalha por toda a cadeia produtiva.
Investigação do Cade e posicionamento do setor
O comportamento dos preços chamou a atenção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão abriu investigação após sindicatos de revendedores relatarem reajustes em diversas regiões mesmo sem alteração, até então, nos valores praticados pela Petrobras nas refinarias.
Em nota, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) afirmou que o mercado brasileiro é livre e competitivo em todas as etapas — produção, refino, distribuição e venda. A entidade reforçou que cada empresa decide se repassa, ou não, aumentos e descontos, e considerou injusto responsabilizar apenas os postos pela alta.
Ações do governo para conter a disparada
Para tentar amortecer o impacto no bolso do consumidor e afastar o risco de desabastecimento, o governo federal divulgou um pacote de medidas na quinta-feira (12). Entre as iniciativas estão:
- zerar as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, com corte estimado em R$ 0,32 por litro;
- aumentar o imposto de exportação sobre o petróleo bruto;
- editar medida provisória que cria subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores de diesel;
- implementar novas regras de fiscalização para garantir que os benefícios cheguem ao consumidor final.
Mesmo com o pacote, a Petrobras informou que aplicará, a partir deste sábado (14), reajuste no preço do diesel repassado às distribuidoras.
Direitos do consumidor e como denunciar abusos
Luiz Orsatti, diretor executivo do Procon-SP, lembra que os postos são obrigados a informar preços de forma clara, sem possibilidade de interpretação equivocada. Segundo ele, ofertar valor promocional limitado a método específico de pagamento ou programa de fidelidade sem aviso adequado é infração passível de sanção.
Orsatti acrescenta que um preço é considerado abusivo quando sobe sem justificativa plausível. Embora não exista percentual fixo para caracterizar a prática, casos suspeitos podem ser denunciados à ANP e aos órgãos de defesa do consumidor. Nessas situações, fiscais comparam o valor exibido na bomba com a nota fiscal de compra do combustível para verificar possíveis irregularidades.
Com o avanço recente das cotações e novas medidas oficiais em curso, consumidores são orientados a acompanhar os preços e, diante de dúvidas, registrar queixa nos canais apropriados.
Com informações de G1





