Um Cadillac Escalade pertencente à influenciadora Deolane Bezerra foi apreendido em 21 de maio de 2026, no mesmo dia em que ela foi detida sob suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro para o PCC. A marca norte-americana ainda não comercializa veículos no Brasil e informou que iniciará operações no país apenas no último trimestre de 2026, oferecendo exclusivamente modelos elétricos.
Além do Escalade, a apreensão efetuada durante a Operação Vérnix incluiu um Mercedes-Benz G63, um Range Rover e um Jeep Commander. Segundo importadores ouvidos pelo G1, o custo para trazer um Escalade ao país parte de R$ 2,1 milhões. Não há informação pública se o veículo de Deolane foi adquirido novo nos Estados Unidos ou chegou ao Brasil como seminovo.
O Cadillac Escalade é o principal SUV da marca e conta com motor V8 de 6,2 litros, 691 cv e 89,9 kgfm de torque. O modelo traz tração nas quatro rodas, transmissão automática de 10 marchas e rodas de 22 polegadas. No interior, chama atenção uma tela de 55 polegadas que se estende pelo painel, além de revestimentos em madeira, couro e outros materiais de acabamento considerados nobres.
A chegada de carros como o Escalade ao país costuma ocorrer por meio da importação independente, regulada pelo programa Mover, que autoriza pessoas físicas e jurídicas a trazerem veículos para uso próprio. O procedimento exige várias etapas e documentação específica: verificação de condição de “novo” — na prática, a alfândega costuma aceitar até cerca de 300 km —, apresentação de comprovantes de compatibilidade de renda com a compra e obtenção da Licença de Importação junto ao Ibama, que verifica regras de emissões e ruído.
O processo também envolve o Denatran, responsável pela emissão do Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT), e o registro da Declaração de Importação no Sistema de Comércio Exterior (Siscomex), ligado à Receita Federal. “São muitas etapas e documentos. Por isso, os clientes buscam nossa assessoria e, muitas vezes, optam por fazer a operação pela nossa empresa. Isso agiliza a conclusão da compra”, afirmou Natel Valério, diretor comercial da Direct Imports.
Custos e prazos podem ser altos: o transporte e taxas de um veículo de US$ 100 mil podem chegar a R$ 80 mil a R$ 120 mil, segundo Valério, e o processo pode levar até 90 dias se o carro estiver pronto no país de origem. A soma de impostos — Imposto de Importação, IPI, ICMS e demais taxas — frequentemente faz com que o preço final quase dobre. como exemplo de valor final, Valério citou a venda de uma Tesla Cybertruck em outubro de 2025 por cerca de R$ 900 mil, enquanto nos EUA a versão topo era vendida por US$ 115 mil (aproximadamente R$ 600 mil).
Há também limitações pós-venda: importações independentes podem não ter cobertura de garantia pelas fabricantes no Brasil, o que encarece manutenção e peças. “Com carros zero quilômetro, não tivemos problemas de homologação para a legislação brasileira”, disse Jair De Paula Machado Júnior, sócio de uma empresa de assessoria aduaneira. De acordo com assessores, proprietários recorrem a oficinas especializadas e importação de peças, com prazos de até 30 dias para chegada dos componentes.
Consumidores atraídos por modelos pouco comuns buscam marcas de luxo como Cadillac, Tesla e Hummer, além de versões não oferecidas oficialmente no país, como exemplificou a procura por Escalade e por configurações especiais de Mercedes-Benz Classe S e picapes como a Toyota Tundra. Mesmo quando as marcas têm operação no Brasil, veículos importados de forma independente não ficam sob a responsabilidade das fabricantes locais.
Com informações de G1





