O Nautilus, da Lincoln, pode deixar de ser vendido nos Estados Unidos por ser produzido na China. Novas regras americanas sobre veículos conectados ameaçam o modelo mais popular da marca de luxo da Ford.
A Lincoln, marca de luxo da Ford, está em negociações com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para assegurar a continuidade das vendas do Nautilus, seu SUV médio mais vendido no país. O impasse surge em razão das novas e rigorosas regras americanas sobre veículos conectados, originadas de um detalhe na cadeia de produção: o modelo é fabricado na China.
As normas, que entraram em vigor em 2025, foram finalizadas nos últimos dias do governo Biden e proíbem a venda e importação de hardware e software de sistemas de veículos conectados, além de carros conectados prontos, que tenham origem na China e na Rússia. O objetivo dessas restrições é reforçar a segurança nacional contra possíveis vulnerabilidades digitais. As limitações de software começarão a valer para a linha 2027, enquanto as restrições de hardware estão programadas para 2030. Com os primeiros modelos 2027 se aproximando das lojas, a regulamentação começa a ter efeitos práticos.
Embora o software do Nautilus tenha sido desenvolvido nos Estados Unidos, a instalação dos sistemas ocorre na China, forçando a Ford a solicitar uma autorização especial ao governo para manter o SUV nas concessionárias americanas.
Sem essa autorização, o modelo poderá ser barrado já na próxima leva de importações. A situação é crítica, pois o Nautilus foi o líder de vendas da Lincoln no ano passado, com 33.744 unidades vendidas, superando outros modelos da marca, como o Corsair (26.566) e o Aviator (24.373).
Esse problema não é exclusivo da Lincoln. Diversas montadoras estão correndo para obter a mesma autorização e continuar vendendo modelos fabricados na China. A Volvo já recebeu sinal verde das autoridades em maio, enquanto a Buick e a Polestar enfrentam dificuldades semelhantes. A Buick, que produz o modelo Envision na China, anunciou que deslocará sua fabricação para os Estados Unidos a partir de 2028, na fábrica de Fairfax, no Kansas, após o término da produção do Chevrolet Bolt. Já a GM, controladora da Buick, afirmou que está apenas estudando como realizar a transição até lá. Por outro lado, a Polestar ainda não se pronunciou sobre como planeja atender às exigências.
A favor da Ford está o tempo. A importação da linha 2027 está prevista para ocorrer apenas em janeiro do próximo ano, o que é considerado um prazo tardio para um veículo do ano seguinte. Isso dá à montadora uma margem de tempo suficiente para cumprir as exigências burocráticas e obter a liberação, antes que seu carro-chefe enfrente qualquer risco de banimento no mercado doméstico.







