Carros de luxo alemães, como Audi e BMW, têm encontrado uma maneira de entrar no mercado russo disfarçados como veículos chineses usados. Essa estratégia, revelada por uma série de imagens que circularam nas redes sociais, envolve uma combinação de manobras administrativas e alteração de emblemas. Desde 2022, as marcas alemãs estão com a exportação proibida para a Rússia, mas agora estão cruzando a fronteira com a marca da fabricante chinesa Changan, retornando a sua identidade europeia assim que chegam ao destino.
A operação se dá em duas etapas distintas. Inicialmente, os veículos novos, que não apresentam qualquer quilometragem, são registrados na China como vendidos. Essa ação os classifica como “usados de exportação” em termos documentais. Posteriormente, antes do transporte, eles recebem temporariamente o logotipo de uma montadora chinesa, como a Changan, o que permite que a documentação alfandegária descreva esses automóveis como modelos locais mais acessíveis, evitando assim os olhares críticos sobre os carros europeus sob sanção. Uma vez na Rússia, o emblema falso é retirado e o logotipo original é reinstalado.
Um internauta conseguiu registrar a presença de um Audi A6L, modelo exclusivo do mercado chinês, e um BMW X5, ambos camuflados com a marca Changan em cima de cegonhas. Essa manobra conhecida como “usado com zero quilômetro” se aproveita de uma brecha legal que permite que montadoras proíbam a venda de veículos novos, mas não têm controle sobre a comercialização de veículos que já foram classificados como seminovos.
De acordo com o portal CarNewsChina, revendedores chineses têm registrado esses modelos zero como vendidos dentro da China, garantindo assim sua reclassificação para facilitar a exportação. Na Rússia, esses carros são vendidos a preços que equivalem aos de veículos novos, mesmo tendo sido oficialmente classificados como usados.
Dados da consultoria russa Autostat, obtidos por veículos de comunicação, indicam que em 2025, cerca de 47 mil veículos de marcas como BMW, Mercedes-Benz e do Grupo Volkswagen, que inclui Audi, Porsche e Skoda, foram emplacados na Rússia, apesar de todas essas montadoras terem anunciado a suspensão de suas operações no país. Dentre esses, mais de 20 mil foram fabricados na China.
O total de veículos vendidos por marcas de países que aplicaram sanções ao longo do último ano chegou a quase 130 mil unidades, e desde a invasão da Ucrânia, já ultrapassou a marca de 700 mil. Embora as montadoras afirmem que proíbem as exportações e tentam coibir vendas não autorizadas, o processo de investigação das fraudes se revela moroso e complicado. Especialistas em sanções reconhecem que existem muitas brechas que dificultam a fiscalização, e a troca de emblemas tem se mostrado uma estratégia eficaz para evitar a detecção.





