Alfredo Altavilla diz que a BYD já produz na Hungria e pretende decidir até dezembro a segunda fábrica, com Espanha e França como candidatas. Produção local é crucial para atender regras da UE e manter crescimento.
A BYD quer instalar três fábricas de montagem de veículos e uma unidade de baterias na Europa no longo prazo. A avaliação é de Alfredo Altavilla, consultor especial da marca para a região e ex-executivo da Fiat Chrysler, que trata a produção local como condição para sustentar o crescimento da empresa e para cumprir as futuras regras da União Europeia.
A montadora já iniciou a produção em sua primeira fábrica europeia de automóveis, em Szeged, na Hungria, e pretende definir até o fim deste ano onde ficará a segunda. Espanha e França são apontadas como as opções mais viáveis, por apresentarem situações mais simples em termos de custo e necessidade de reforma de instalações.
Diferentemente de outras marcas chinesas que têm recorrido ao compartilhamento de linhas ociosas com fabricantes locais, a BYD vem adotando a estratégia de comprar, deter integralmente e reformar plantas existentes em vez de construir unidades do zero. Como parte desse reposicionamento, a empresa engavetou por tempo indeterminado o projeto anunciado em 2024 para uma fábrica em Manisa, na Turquia, dimensionada para 150 mil veículos por ano.
O movimento por capacidade instalada na Europa está em ampla disputa. Fabricantes chinesas têm buscado alternativas com parceiros locais: Leapmotor e Dongfeng fecharam acordos para utilizar linhas da Stellantis na Espanha e na França, respectivamente; a Geely vai produzir em uma unidade da Ford na Espanha; e a Chery assumiu uma antiga fábrica da Nissan no país em parceria com um sócio local. Segundo Altavilla, ele visita fábricas por toda a Europa e encontra executivos rivais nos aeroportos, todos atrás do mesmo ativo.
Como plano B, a BYD aponta a Itália, mas o executivo afirmou que a Stellantis, única grande montadora do país, não pretende vender plantas, sintetizando o impasse com a observação
“não é possível comprar algo que não está à venda.”
A pressão por decisão rápida tem caráter regulatório. Bruxelas prepara regras do chamado Made in Europe, inseridas no Industrial Accelerator Act, que estabelecem percentuais mínimos de conteúdo europeu para veículos elétricos vendidos no bloco. Pela proposta apresentada pela Comissão Europeia, a montagem terá de ocorrer em um Estado‑membro e ao menos 70% das peças precisarão ter origem europeia para que o veículo tenha acesso a compras públicas e a determinados incentivos. O texto ainda está em negociação e pode entrar em vigor já no ano que vem.
A estratégia europeia da BYD replica parte do que a empresa já aplicou no Brasil. Em Camaçari (BA), a companhia monta desde 2025 os modelos Dolphin Mini, King e Song Pro em regime SKD, com capacidade inicial de 150 mil unidades por ano. A fabricante ergue instalações de estamparia, soldagem e pintura para elevar o índice de nacionalização e reduzir a dependência de componentes importados.





