O NSX de chassi T000233, mantido por Senna em Portugal, superou expectativas do mercado de clássicos no leilão. Pintado em Formula Red com teto preto e interior em couro preto, fazia parte de uma frota de três carros.
O Honda NSX 1991 mantido por Ayrton Senna em Portugal foi o destaque do leilão realizado em Londres no sábado (31), sendo arrematado por 871.000 libras, valor equivalente a R$ 6,3 milhões em conversão direta e sem impostos. O exemplar de chassi T000233 superou as expectativas do mercado de clássicos e carros de colecionador.
O esportivo vem com pintura Formula Red combinada ao teto preto e cabine revestida em couro preto. Este NSX integrava uma frota de três unidades cedidas pela fabricante ao piloto; os outros dois carros apresentavam carroceria preta, e um deles permanece no Brasil em posse da família.
Baseado em Lisboa, o carro era utilizado pelo piloto nos deslocamentos pela Europa. Foi ao volante desse exemplar que o tricampeão chegou ao circuito de Estoril para disputar o Grande Prêmio de Portugal de 1991, prova em que largou na terceira posição e concluiu em segundo lugar. No mesmo ano, o veículo aparece no documentário Racing Is In My Blood (1992) e em famosa fotografia do piloto lavando a carroceria com uma mangueira.
O envolvimento do piloto no desenvolvimento do NSX também marcou a história técnica do modelo. Em 1989, durante testes no circuito de Suzuka, Senna avaliou o protótipo inicial e apontou fragilidade estrutural sob cargas severas. Como resultado, a engenharia ampliou em 50% a rigidez estrutural do monobloco de alumínio e recalibrou a suspensão. O projeto do esportivo havia sido iniciado em 1985 sob a chefia do engenheiro Shigeru Uehara, com a meta de produzir um automóvel em série com carroceria e chassi monobloco integralmente estampados em alumínio.
O design buscou inspiração em caça militar F-16 para oferecer visibilidade ampla em trechos sinuosos. A produção exigiu a inauguração de uma fábrica dedicada em Tochigi, no Japão, em 1990, com cadência de montagem limitada a 25 unidades diárias feitas manualmente. Quando o NSX chegou ao mercado japonês em setembro de 1990, a demanda superou a capacidade e gerou filas de espera de até três anos. O modelo também serviu de base para a versão aliviada NSX-R, lançada em 1992.
Quanto ao conjunto mecânico, o NSX 1991 utilizava o motor central-traseiro C30A, um V6 3.0 aspirado com comando de válvulas variável. Na especificação europeia destinada a Portugal, o bloco entregava 274 cv e 29 kgfm de torque, com velocidade máxima declarada de 265 km/h e câmbio manual. O posicionamento transversal do V6 entre os eixos favorecia o equilíbrio dinâmico e a tração em saídas de curva.
Após o acidente fatal do piloto em maio de 1994, o NSX permaneceu em Portugal e recebeu novo registro de propriedade dez meses depois. O cupê passou pela concessionária portuguesa Nipomotor em 1997, teve compradores no Reino Unido em 2009 e no Japão em 2024, antes de retornar a Londres para o leilão. Durante sua permanência na Europa, o exemplar participou das homenagens pelos 25 anos do falecimento do piloto no autódromo de Imola, em 2019, quando foi conduzido na pista por Giancarlo Minardi, mantendo quilometragem e mecânica originais.
O lote incluía um dossiê de autenticidade com manual de garantia original, registros de propriedade emitidos em Portugal e a cópia do fax original emitido pela Honda, posteriormente ratificado pela divisão Honda Motor Europe, certificando o vínculo direto do chassi com o piloto. Esses documentos sustentaram a avaliação e o interesse de colecionadores no leilão.









