No Brasil, a frase de Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, “No Brasil até o passado é incerto”, se aplica perfeitamente ao recente imbróglio envolvendo a BYD e o Governo Federal. A situação emergiu após a decisão do Gecex (comitê para tarifas de importação e medidas de defesa comercial) de isentar, de 1º de julho a 31 de dezembro deste ano, o imposto de importação de veículos desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD) dentro de uma cota de US$ 463 milhões.
Esta deliberação foi considerada uma reinterpretação questionável de uma posição anterior. A BYD, enfrentando atrasos nas obras de sua fábrica em Camaçari (BA), acionou o governo estadual, misturando política com decisões econômicas, o que pode se revelar problemático.
A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) expressou preocupação, afirmando que “ao alterar de surpresa as regras do jogo, o Governo Federal viola a segurança jurídica, sabota a previsibilidade regulatória e penaliza toda a cadeia automotiva brasileira”. O Sindipeças destacou a necessidade de um nivelamento nas condições concorrenciais, com medidas que atenuem os impactos das importações de kits CKD e SKD.
Sérgio Nobre, da CUT (Central Única dos Trabalhadores), também criticou a medida, afirmando que “a alteração de regras surpreendeu a todos e ignora resoluções anteriores do próprio colegiado”.
Enquanto isso, Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, tinha se expressado de forma contundente em julho de 2025, afirmando que “se os dinossauros estão gritando, é sinal de que o meteoro está funcionando”, numa referência às marcas representadas pela Anfavea. Contudo, após as manifestações críticas da associação, Baldy mudou seu tom, reconhecendo a trajetória histórica da entidade e demonstrando um certo arrependimento.
Além disso, uma nova iniciativa na China visa aumentar a carga fiscal sobre veículos elétricos, uma medida que pode impactar a manutenção das vias urbanas, dado o peso elevado dos modelos elétricos. O mercado interno de elétricos na China já enfrenta dificuldades, levando os fabricantes a buscar alternativas, como a construção de fábricas na Europa, para contornar as altas tarifas de importação.





