A crescente presença dos carros chineses no mercado automotivo global tem revelado uma notável preferência por um componente específico: o motor 1.5. Modelos como o GWM Haval H6, BYD Song Plus e veículos da Caoa Chery têm essa exata capacidade volumétrica como a espinha dorsal de suas motorizações.
Essa escolha não é meramente uma decisão técnica, mas sim uma estratégia calculada que combina legislações tributárias rigorosas e uma economia de escala sem precedentes, refletindo a rápida expansão da indústria automotiva na China.
Na China e em diversas nações do sudeste asiático, o motor 1.5L se tornou um limite crucial para a arrecadação de impostos. Essa padronização se origina da utilização de motores japoneses, que apesar de seus projetos antigos, são robustos e acessíveis. A origem desse movimento remonta ao ano de 2000, quando a joint-venture entre a Toyota e a FAW iniciou a fabricação de motores 1.3L e 1.5L, baseados na renomada família 8A da Toyota, que foi lançada em 1978 para a segunda geração do Corolla.
Além da FAW, marcas como Bestune e Hongqi também adotaram esses motores, e a Geely começou a utilizá-los em 2003, antes de desenvolver suas próprias motorização. Diversas fabricantes chinesas, como a BYD e Chery, também recorreram aos motores Mitsubishi Orion, que foram fundamentais para o desenvolvimento de seus primeiros veículos.
Hoje, a produção de motores na China atingiu um novo nível de independência e sofisticação. A modernização dos sistemas de injeção e a adoção de turbocompressores mais avançados têm transformado projetos que antes eram considerados obsoletos. Essa evolução explica a capacidade das fabricantes chinesas de oferecer preços competitivos no mercado.
O sistema tributário chinês e de blocos como a ASEAN impõe penalidades a motores com deslocamento acima de 1.5L. Por exemplo, um carro exportado da China para países parceiros asiáticos paga apenas 5% de tarifa de importação se o motor tiver até 1500 cm³. Caso contrário, essa taxa pode subir para até 30%, impactando diretamente a estratégia de produção das montadoras.
Assim, as montadoras chinesas optam por maximizar a eficiência dos motores 1.5L, desenvolvendo híbridos para oferecer o torque necessário em SUVs e picapes, enquanto apenas veículos de luxo ou de maior porte utilizam motores 2.0 turbo.
Além disso, a economia de escala desempenha um papel vital, pois a criação de um motor do zero exige investimentos significativos. Ao concentrar esforços em um único tipo de motor, as montadoras conseguem reduzir drasticamente os custos individuais, refinando a motorização a partir de uma base já estabelecida, como exemplificado pela Chery, que aprimora seu motor 1.5 desde 2003.













