Quem: montadoras chinesas e a equipe do g1.
O quê: o g1 avaliou um sistema de condução semiautônoma chamado NOA (navegação em piloto automático) em um percurso urbano.
Onde: a avaliação ocorreu em Baoding, a cerca de 180 quilômetros de Pequim. Testes com o NOA também são realizados em cidades como Pequim, Xangai, Shenzhen e Wuhan.
Como: o sistema combina mapas detalhados, conexão móvel e sensores (câmeras, radares e LiDAR) para controlar acelerador, freio e direção, enquanto o motorista permanece atento e com as mãos no volante.
Embora a China ainda não permita circulação de veículos totalmente autônomos — como os táxis da Waymo em algumas cidades dos Estados Unidos — fabricantes chineses vêm ampliando funcionalidades de assistência à condução. No trajeto urbano testado pelo g1, o NOA assumiu diversas decisões de circulação, como mudança de faixa, redução de velocidade e desvios, mas exigiu que o condutor mantivesse supervisão constante.
Durante o teste, o motorista apoiou apenas um dedo no volante e manteve o rosto voltado à frente para que os sensores internos não registrassem desatenção, conforme exigência municipal. Esse tipo de monitoramento de ocupante também aparece em carros vendidos no Brasil, como o Volvo EX30 e o Leapmotor B10, que alertam quando o motorista desvia o olhar.
Para funcionar com precisão, o NOA depende de vários elementos: conexão 4G/5G, sistema de posicionamento por mapas (na China, o Beidou) e sensores externos que mapeiam veículos, pedestres e objetos. Na central multimídia do veículo testado, o mapa exibiu não só a rota, mas informações detalhadas do trajeto — tempo para abertura de semáforos, faixas de pedestre e até infrações que podem ser registradas por radares fixos, como não uso do cinto, desrespeito a pedestres, excesso de velocidade e uso de celular.
O veículo identificou e representou em 3D carros, caminhões, motos e pedestres, tomou decisões autônomas para mudar de faixa e chegou a desviar de uma bicicleta caída. Em um retorno em “U” com quatro faixas, o sistema começou a manobra, mas teve dificuldades diante de veículos mais velozes na via contrária, levando o motorista a retomar o controle. Ainda assim, o NOA reagiu sozinho a uma moto que atravessou fora do sinal e lidou com uma ultrapassagem entre caminhões desviando de cones.
O NOA apresenta maior redundância de informações do que sistemas como o Autopilot da Tesla, que se apoia mais em inteligência artificial e imagens das câmeras. Sua lógica aproxima-se do Super Cruise da Chevrolet, embora, nos EUA e Canadá, esse recurso seja restrito a rodovias com marcações precisas.
Um elemento visual que distingue veículos equipados com NOA é uma luz esverdeada próxima às lanternas, usada por alguns fabricantes para sinalizar a terceiros que o sistema semiautônomo está em operação. Não existe uma norma nacional que obrigue esse indicador, mas o recurso vem sendo adotado para alertar pedestres e outros motoristas.
O teste em Baoding mostrou que o NOA pode realizar muitas manobras urbanas sem intervenção contínua do condutor, embora situações complexas ainda exijam retomada manual da direção.
Com informações de G1





